Doze meses foi tempo suficiente para que o Beto Batata fosse considerado um fenômeno em Curitiba. Na contramão da maioria dos bares e restaurantes da cidade - que primeiro investem milhares de reais em decoração e sofisticação e depois tentam atrair o público, o que muitas vezes não conseguem - o Beto começou literalmente do zero.
No dia 29 de maio do ano passado, quatro mesas de madeira instaladas na garagem da casa do proprietário, Beto Amorim, acomodavam os amigos mais chegados. Apesar da simplicidade, nunca faltou qualidade total no carro-chefe da casa: as famosas batatas-suíças recheadas, implantadas no Brasil pelo próprio Beto, há 16 anos.
Muito mais rápido do que qualquer previsão, a garagem foi ficando pequena. De forma instantânea, as reformas para melhorar o local avançavam na mesma proporção em que a casa enchia. O competente grupo Retratos, que interpreta grandes mestres do chorinho, passou a bater ponto no Beto Batata, presenteando o público com deliciosos clássicos de Pixinguinha, entre outros.
Os almoços de sábado se transformaram em ponto de encontro de intelectuais, artistas e profissionais liberais da cidade. A cada semana, um cliente passou a assumir a cozinha, preparando a sua especialidade gastronômica. Nas paredes, nunca faltaram telas ou fotografias, prestigiando os artistas plásticos e fotógrafos da cidade.
As noites de terça à domingo passaram a reunir centenas de pessoas, fazendo da disputa por mesas uma rotina da casa. O próprio público acabou exigindo o aumento do bar, que, além da garagem invadiu a casa, expulsando a residência do proprietário para outro endereço.
Esta combinação perfeita entre boa música, espaço cultural dinâmico, ambiente aconchegante e excelente gastronomia fez o Beto Batata explodir. A comemoração de um ano de funcionamento aconteceu nesta semana, reunindo cerca de 200 convidados.
Hoje, o local é decorado, ganhou café e livraria internos e faz parte da listagem dos melhores restaurantes da cidade. A fama das batatas recentemente atravessou o Atlântico, o que fez com que Beto Amorim ficasse 15 dias na Suíça, a convite da rede de hotéis Relais & Chateaux.
O objetivo era mostrar de perto a tradição do preparo das batatas recheadas e conhecer as inovações que o restaurante curitibano criou para o prato. O resultado da temporada foi o convite de levar uma filial do Beto Batata para a Suíça.

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