Um alucinante mercado indígena
Chichicastenango - Chegar em Chichicastenango, às quintas-feiras e aos domingos, é mergulhar numa alucinante feira ao ar livre. Esse passeio, assim como a excursão às aldeias encravadas no belíssimo Lago Atitlán, são obrigatórios para quem quer descobrir um pouco mais sobre os descendentes dos maias, entender sua cultura, confundir-se nos seus dialetos, vibrar com suas tradições.
Chichi, como costuma ser chamada, fica a três horas de carro da capital e a 145 quilômetros de Antigua Guatemala, de onde parte a maioria dos turistas. Naquela efervescência, com gente por todos os cantos, o visitante logo sente o forte cheiro de incenso, queimado aos quilos na frente da Igreja de São Tomás. Peregrinos cumprem penitências em suas escadarias.
Do lado de dentro nem pense em fotografar, se não quiser perder a câmera , catolicismo e cultos maias se misturam. Pacificamente, estranhamente. Perto do altar católico e da imagem de Cristo, outro altar: neste, os índios vestiram as divindades maias com roupas de santos.
Foi a saída encontrada para burlar a fiscalização da Igreja, que levantou a construção, em 1540, em cima de um templo indígena e tentou riscar a cultura local do mapa. Não conseguiu, claro. Até hoje, é hábito jogar aguardente sobre as figuras e fazer oferendas de comida, para ''invocar'' os espíritos dos antepassados e se comunicar com eles.
Saindo dali, perca-se sem pressa em meio aos tecidos de cores espalhafatosas, imagens de santos e animais, peças de cerâmica e quinquilharias. Espalhada pelas ruas estreitas de Chichi, a feira lembra os mercados do Marrocos. Então, inunde os olhos. Vale a pena passar um dia todo ali, falar com as pessoas, deixar-se levar pelo instinto. Mas, atenção. Trombadinhas eventualmente se embrenham em meio aos turistas e surrupiam carteiras e bolsas.
Quando a fome bater, não se arrisque a comer frango frito nem outros tira-gostos de higiene questionável vendidos a preços módicos no mercado. Nos jardins do lindo hotel Mayan Inn, relaxe e aproveite a refeição (por volta de US$ 15 por pessoa). O local é um oásis paradisíaco, em meio ao caos. Se puder, passe a noite ali (US$ 130 o casal).
De manhã, novo destino. Vá visitar Atitlán, mas de preferência se o dia estiver claro, para avistar seus três vulcões espelhados nas águas: Atitlán, Tolimán e San Pedro. Aproveite para pegar uma lancha e visitar um dos vilarejos indígenas na margem do lago.
Suba pelas vielas. No alto, aproveite a vista panorâmica. Lá embaixo está o lago que encantou o autor de ''Admirável Mundo Novo'' e ''Portas da Percepção'', Aldous Huxley (1894-1963).
Ao pegar a lancha de volta, olhe ao redor: casas de veraneio, restaurantes com vistas espetaculares e boas opções de estada.
À noite, se quiser agito, busque hospedagem nos arredores da Avenida Santander, em Panajachel, perto dali. Gringos e ''bichos-grilo'' lotam os cybercafés e todo tipo de restaurantes, danceterias e botecos. O som é animado no Pana Rock Cafe. Mas a noitada não vai até muito tarde - a Guatemala tem lei seca e, no máximo às 2 horas, você será avisado de que não pode mais comprar bebida alcoólica.





