É o preço da fama. Austin Powers, o personagem, o Homem Misterioso Internacional, cresceu tanto e deu tanto dinheiro aos seus criadores que no terceiro episódio da cinessérie teve de fazer concessões. E Austin Powers com concessões não vale, baby! O personagem criado por Mike Myers, que é uma paródia das paródias que James Bond já sofria nos anos 60 e 70, surgiu em longa em 1997 e foi um fracasso nos cinemas. O boca a boca levou uma legião a descobri-lo em vídeo e isso fez com que Hollywood se animasse a lançar o segundo filme, esse sim um grande sucesso.
O caminho foi natural até este terceiro, ''Austin Powers e o Homem do Membro de Ouro'' (título que brinca com o de ''007 contra Goldfinger''). Acontece que, com o aumento do público, aumentou o pudor. A direção é de Jay Roach
Assim, por pressão do estúdio, o ultra-sexy Austin Powers teve de deixar o sexo e as mulheres de lado e se dedicar à escatologia, às ''piadas de banheiro'', bem ao gosto do adolescente americano espinhudo de 13 anos, a fatia de público mais cobiçada pelo mercado cinematográfico dos EUA.
Para ter uma idéia, em sua nova aventura, o agente, que já teve Liz Hurley e Heather Graham em seus lençóis, nem sequer faz sexo. E beija uma vez só, no final. Em troca, sobram piadas com todas as substâncias eliminadas pelo corpo humano, gases incluídos.
A história coloca Powers (Myers) enfrentando de novo o maléfico Dr. Evil (Myers), que agora conta com a ajuda do holandês Goldmember (Myers, sem graça). De quebra, ele reencontra o pai (Michael Caine, ótimo). De par amoroso está a cantora (e ela deveria manter a profissão) Beyoncé Knowles, do trio Destiny's Child, como Foxxy Cleopatra.
O ponto alto: a procissão de pontas de famosos, concentrada nos primeiros minutos, que reúne de Tom Cruise a Gwyneth Paltrow, passando por Steven Spielberg e Britney Spears, salva o dia.

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