Antônio Mariano Júnior
De Curitiba
Ah, sim, vai dar para fazer corinho. Também pudera: o show que o Ultraje a Rigor faz sexta-feira, na Fórum de Curitiba, é calcado em velhos hits que tocaram nas rádios da vida, principalmente na década de 80. E de mais a mais, ‘‘Inútil’’, ‘‘Nós Vamos Invadir Sua Praia’’, ‘‘Rebelde Sem causa’’, entre outras pepitas, estão no mais recente disco do grupo — ‘‘18 Anos Sem Tirar’’, de onde foi extraído o nome do show
O CD, lançado há três meses pela Abril Music, é quase todo ao vivo. É que depois de seis anos sem registrar um ‘‘a’’ em disco, os (novos) integrantes do Ultraje a Rigor acharam por bem incluir no novo trabalho — e também na apresentação em Curitiba — quatro músicas inéditas (gravadas em estúdio).
São elas: ‘‘Nada a Declarar’’, ‘‘O Monstro de Duas Cabeças’’, ‘‘Preguiça’’ e ‘‘Giselda’’, que vêm revestidas de rock batidão e letras encharcadas de irreverência que beiram o besteirol. ‘‘Esse disco não é um retorno do grupo porque não paramos de fazer show, apenas saímos da mídia’’— reconhece Flávio, o baterista.
O Show ‘‘18 Anos Sem Tirar’’ terá 1h30 de duração. Durante esse tempo, Roger e seus novos amiguinhos — ‘‘Heraldo (guitarra), Mingau (baixo) e Flávio (bateria) — vão apresentar releituras de sucessos alheios como ‘‘My Bonnie’’, ‘‘Rock das Aranhas’’, ‘‘Do You Wanna a Dance’’ e ‘‘Shenna is a Punk Rocker’’.
Ao todo, o Ultraje a Rigor lançou seis discos. A coisa toda começou no início da década de 80 quando Roger e outros amiguinhos compunham uma banda de covers que tocava, principalmente, Beatles, rock dos anos 60, punk e new wave. Em 85, o grupo conseguiu chegar ao mundo dos discos.
Caiu, em outras palavras, nas graças das gravadoras que, nos anos 80, estavam boazinhas demais da conta com jovens roqueiros que iriam supostamente dar um sopro novo à MPB. O primeiro álbum estourou, arrasou, vendeu horrores. Mas a partir do terceiro, em 89, o caldo começou a entornou: a indústria fonográfica já afagava outras cacarejantes galinhas dos ovos de ouro. E daí que poucos grupos de rock da chamada ‘‘geração 80’’ passaram pela peneirada.
O Ultraje passou, mas passou espremido. Porém, os discos começaram a ficar escassos e os shows foram diminuindos na mesma proporção que prestígio junto às gravadoras. Foi um ‘‘ufa’’ gravar o penúltimo disco — ‘‘Ó’’, de 93’’ — numa grande gravadora, a Warner. ‘‘Ela (Warner) queria colocar e nos colocou na geladeira. Tanto que esse disco não saiu legal’’— analisa o baterista Flávio.
Por contrato, como explica, teriam que fazer mais um disco. Mas como houve acordo entre ambas as partes, o tal contrato foi rescindido. A banda só não foi para o beleléu de vez por insistência de Roger.
O jeito foi continuar fazendo shows para sobreviver artisticamente já que o retorno aos estúdios de gravação parecia um sonho distante. Por via das dúvidas, Roger e cia. resolveram registrar duas apresentações que fizeram em 96, no extinto Aeroanta, de Curitiba. O material acabou rendendo ‘‘18 Anos Sem Tirar’’(Abril Music). ‘‘Trata-se de um disco em que repassamos nossa carreira. Mas para não dar a impressão de um disco de coletânea resolvemos incluir quatro canções inéditas’’— explica Flávio. Agora, se terá uma boa aceitação ainda é cedo para dizer.
‘‘18 Anos Sem Tirar’’, Show com o grupo Ultraje a Rigor. Nesta sexta-feira, a partir da 00h30, na Fórum (Rua João Palomeque, 80). Ingressos antecipados a R$ 15,00. A Casa abre suas portas a partir das 22 horas.

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