As últimas semanas de "Em Família" têm sido movimentadas. Muito mais do que se viu durante a novela inteira. A sensação que fica é que Manoel Carlos está tentando recuperar o tempo perdido. É normal que, na reta final de um folhetim, as tramas caminhem para uma resolução. O que costuma gerar sequências de ação ou drama em maior intensidade. Mas, nesse caso, parece que, tudo o que o autor não fez ao longo dos meses, tenta fazer agora, na esperança de conquistar o telespectador, que até hoje não embarcou em um enredo que "corre atrás do próprio rabo", sem qualquer meta a ser alcançada. Um reflexo disso é que a novela amarga a pior audiência do horário na história: 29 pontos em média.
A vontade de fazer com que "Em Família" ganhe alguma repercussão veio tarde. Mesmo assim, possibilitou que Manoel Carlos saísse de sua zona de conforto ao levar parte da história para a favela. A trama mais tensa – a da dondoca Juliana e do malandro Jairo, papéis de Vanessa Gerbelli e Marcelo Mello Jr. – se divide entre o glamour do Leblon e a favela em que o rapaz mora. Coisa que o autor não costuma fazer. No máximo, ambienta suas histórias no bairro chique da zona sul do Rio de Janeiro e em algum outro lugar que não se distancie muito da classe social elevada da maioria de seus personagens. Desta vez, Maneco precisou "atirar para todos os lados".
Apesar do pouco frisson causado pelo atual folhetim das 21 horas, algumas atuações se destacaram positivamente. Casos de Humberto Martins, na pele do pacato Virgílio, e de Reynaldo Gianecchini, como o "boa praça" Cadu. O primeiro consolidou a desconstrução da imagem de "garanhão campestre" que o acompanhou ao longo da carreira. Já Gianecchini se mostra seguro em cena, ainda que não necessite acionar grandes recursos dramáticos para seu personagem "gatão de meia-idade".
Mas a trama que mais criava expectativas desde o início, a de Clara e Marina, interpretadas por Giovanna Antonelli e Tainá Müller, quase passou "batida". O casal não emplacou. E agora que as duas estão assumidamente juntas, o romance continua insosso. Apesar de toda sua experiência e carisma, Giovanna Antonelli parece pouco à vontade com a personagem. O contrário de Tainá, que aproveita bem a primeira grande oportunidade que lhe foi dada na televisão. Com um rumo igualmente sem graça, a personagem-ícone de Manoel Carlos, Helena, desta vez vivida por Júlia Lemmertz, não foge muito do perfil neurótico apresentado em outras novelas do autor. E a apatia respinga em Shirley, de Viviane Pasmanter. Apesar de a "perua" ser responsável pelos poucos bons momentos da história – e da boa interpretação da atriz –, é muito pouco aproveitada e deixou a desejar no posto de vilã.
Anunciada como a última novela de Manoel Carlos, "Em Família" manteve a essência do autor, que gosta de escrever tramas contemplativas sobre as trivialidades do cotidiano. Mas o enredo fraco facilitou para que o folhetim caísse facilmente na indiferença de um público significativo.

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