São Paulo, 31 (AE) - Há dois anos Stanley Kubrick foi o grande homenageado no Festival de Veneza. Recebeu um Leão de Ouro especial por sua extraordinária carreira. Apesar dos esforços dos organizadores da mostra veneziana para levar o grande Kubrick ao Lido, ele se recusou a abandonar seu exílio em Londres. Mas gravou uma mensagem especial e se fez representar pela atriz Nicole Kidman, com quem rodava "De Olhos bem Fechados". Amanhã (01), a bela Nicole estará de volta ao Lido. Acompanhada do marido, Tom Cruise, ela participa da inauguração do festival deste ano, que será aberto justamente com a derradeira obra-prima de Kubrick. O filme estréia na sexta-feira no Brasil. É o 56.º Festival de Veneza, que tem o título mais pomposo de Mostra dArte Cinematografica de Venecia. Integra a programação da Bienal de Veneza, embora seja um evento anual. Participam da mostra competitiva 18 filmes.
O Brasil ficou de fora da competição, mas estará presente no Lido com dois filmes que serão exibidos na seção Novos Territórios, que antigamente se chamava Finestra sullImagine. É o território por excelência da experimentação no festival. Os dois filmes brasileiros enquadram-se no perfil da seção. São o curta "Volte sempre, Abbas", de Leon Cakoff e Renata de Almeida, e o longa "São Jerônimo", de Júlio Bressane.
Chama-se Alberto Barbera o novo diretor do festival. Ele organizou uma seleção que privilegia o cinema de autor e faz a mostra veneziana voltar às suas origens. Nos últimos anos, Veneza vinha popularizando-se. Em busca de glamour, abriu espaço exagerado para o cinemão comercial de Hollywood, nunca o colocando na mostra competitiva, mas distribuindo títulos abertamente comerciais ao longo de sua programação. Com isto, Veneza garantia a presença das celebridades hollywoodianas no Lido. Versão européia - Este ano, um dos grandes astros do cinema americano, Tom Cruise, vai fazer a abertura do evento. Mas Cruise e a mulher, Nicole Kidman, estarão em Veneza defendendo o mais radical cinema de autor. O filme de Kubrick é genial, uma obra-testamento e não apenas por ter sido a última do criador que morreu em março. Em Veneza, será exibida a versão européia, a mesma que virá para o Brasil. Ou seja, sem os retoques computadorizados que tornaram mais palatável, para o puritano público americano, a sequência da orgia.
Dos 18 filmes que integram a seleção, alguns despertam mais atenção, pelo histórico dos diretores: "Holy Smoke", de Jane Campion, que já ganhou a Palma de Ouro em Cannes com "O Piano"; "Topsy Turvy", de Mike Leigh, que também já venceu em Cannes (embora não a cobiçada Palma) por "Naked"; "O Vento Nos Levará", de Abbas Kiarostami (que Leon Cakoff fará tudo para trazer para a mostra, em outubro); "Not One less", de Zhang Yimou; "Le Vent de la Nuit", de Philippe Garrel; e "Crazy Alabama", a esperada estréia do ator Antonio Banderas na direção. Representam, respectivamente, os Estados Unidos, a Inglaterra, o Irã, a China, a França e, novamente, os Estados Unidos.
Outros filmes da competição: "Uma Semana na Vida de um Homem", de Jerzy Stuhr, da Polônia; "Rien à Faire", de Marion Vernoux, da França; "Nordrand", de Barbara Albert, da áustria; "Une Liaison Pornographique", de Frederic Fonteyne, da França e da Bélgica; "Pas de Scandale", de Benoit Jacquot, da França; "Appassionate", de Tonino de Bernardi, da Itália; "Mentiras"
de Jang Sun Woo, da Coréia do Sul; "The Cider House Rules", de Lasse Hallstrom, dos Estados Unidos; "Mal", de Alberto Seixas Santos, de Portugal; "A Domani", de Gianni Zanasi, da Itália; e "Jesus Son", de Alison Mac Lean, dos Estados Unidos.
O festival termina no dia 11 com a exibição da primeira parte do documentário "Il Dolce Cinema", de Martin Scorsese, sobre o cinema italiano.

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