Última semana do "Solos, Duos e Trios" no CCSP
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segunda-feira, 03 de abril de 2000
Por Karla Kunder 
São Paulo, 04 (AE) - Esta é a última semana do "Solos, Duos e Trios", evento organizado pelo Centro Cultural São Paulo (CCSP), uma das poucas instituições que garantem espaço para a dança. De amanhã (05) a domingo o público poderá assistir ao solo "Sob os Olhos de Alguém", de João Andreazzi, e o duo "Lar, Doce Lar", de Luiz de Abreu e Patrícia Werneck. Nos dois espetáculos o tempo está presente e Andreazzi condensa passado, presente e futuro. Já Abreu e Patrícia buscaram a reconstrução do universo dos anos 50.
Amantes das músicas de Dalva de Oliveira, Patrícia e Abreu partiram das melodias para compor o espetáculo. "Decidimos fazer uma coreografia baseada em Dalva e resolvemos pesquisar em qual época as pessoas a ouviam mais", explica Luiz de Abreu, diretor da peça. "A partir da pesquisa, o interesse cresceu e saiu do contexto da dança, passando ao comportamento e hábitos dos anos 50", conta Abreu. A dupla utilizou como fonte de pesquisa os álbuns de família e a revista "O Cruzeiro".
A partir daí, os pesquisadores puderam compor "Lar, Doce Lar", que é a narrativa de um casal dos anos 50, mostrando o cotidiano e a estética da época. "É uma novelinha dançada, que interage com o público, por meio de comentários feitos com a platéia", conta Abreu. A proposta dos coreógrafos era traduzir o período, mas o trabalho adquiriu contornos humorísticos, o que surpreendeu os próprios criadores.
Outro ponto é a utilização de linguagens como música e teatro. Elementos que aproximam a dança do público. "Queremos que as pessoas compreendam e participem da apresentação", afirma Abreu. Memória - João Andreazzi mostra o solo lançado há dois anos em Amsterdã. Entretanto, como o próprio autor afirma, "é um outro espetáculo com o mesmo tema". A coreografia "Sob os Olhos de Alguém" foi dedicada à memória de seu pai, Rubens Andreazzi, morto em 1997. Na primeira versão o coreógrafo estava distante da família e a inspiração veio da sensação de vazio, perda e morte.
Para essa apresentação ele mudou alguns pontos e o cenário. "Agora está mais simples e o destaque é a fluência dos movimentos", explica Andreazzi. Passado, presente e futuro estão ligados por meio de um slide antigo que remete à infância. "Quando recebi a notícia só conseguia ver um branco e no espetáculo, em determinado momento, fecho os olhos e o slide é projetado", conta Andreazzi.
Nesse trabalho há um forte traço da investigação e das pesquisas do autor, que trabalha com as mudanças de nível entre o teto e o chão e utiliza as técnicas de release. O processo cênico se dá pela improvisação. "É um trabalho bastante contemporâneo", conclui. Serviço - "Solos, Duos e Trios". De amanhã a sáb., às 21h30; dom., às 20h30. R$ 5. Centro Cultural São Paulo. Rua Vergueiro, 1.000. Tel. 3277-3611. Até domingo


