DivulgaçãoCena do bailado ‘‘Cria’’, que o Ballet de Câmara de Londrina apresenta hoje e amanhã no Ouro VerdeDepois de uma temporada bem-sucedida no Teatro Cacilda Becker, no Rio de Janeiro, o Ballet de Câmara da Cidade de Londrina apresenta o espetáculo ‘‘Cria’’ hoje e amanhã, às 21 horas, no Cine-Teatro Ouro Verde, em Londrina. Esta será a última oportunidade do ano para os londrinenses assistirem ao espetáculo que já rodou 22 cidades em 15 Estados, além do Peru, e que foi visto por aproximadamente 30 mil pessoas. Os ingressos custam R$ 4.
O espetáculo traz dois balés assinados pelo diretor e coreógrafo da companhia, Leonardo Vítor Ramos: ‘‘Cria’’, com composições de Tchaikovsky e Egberto Gismonti; e ‘‘À Cidade’’, que traz música de Astor Piazzolla. ‘‘Cria’’, que estreou em março deste ano, é o primeiro bailado com longa duração do grupo, com 32 minutos, e dividido em duas partes: ‘‘O Forrobodó’’, com as músicas ‘‘Frevo’’ e ‘‘Forrobodó’’ de Egberto Gismonti; e ‘‘A Cria’’, com a obra ‘‘Concerto para Violino e Orquestra opus 35’’ de Tchaikovsky.
Segundo Leonardo Ramos, as apresentações encerram as atividades da companhia em Londrina, este ano. ‘‘Depois, só vamos apresentar o espetáculo de encerramento das atividades anuais da Escola Municipal de Dança, no começo de dezembro’’ - diz.
A própria Escola Municipal de Dança está deixando de ser uma simples escola. ‘‘A partir de março, 15 crianças estarão passando para uma fase pré-profissional com a criação do ‘Balezinho de Londrina’. A gente esperava que isto acontecesse em oito anos, a partir da fundação da escola. E acabará acontecendo em cinco. Inclusive, o Ballet de Londrina estará absorvendo o primeiro aluno da escola’’ - conta. Para ele, isto estará ‘‘amarrando’’ o processo que criou a escola e a companhia de dança.
Sucesso Mesmo encerrando as atividades na cidade, o Ballet não pára. O grupo vai fazer ainda duas apresentações no Guairinha, em Curitiba, dias 30 e 31 de outubro, e - se houver dinheiro para as passagens aéreas - participa do Festival Internacional de Dança de Camaguei, em Cuba. ‘‘Já temos convite fechado para este festival e um outro, para o Festival de Havana, em março’’ - conta.
Além disto, o diretor vai participar, como convidado, do Festival Internacional de Buenos Aires, no final do mês. ‘‘A Fundação Vitae vai, além de todas as despesas, me pagar para assistir a 11 dias de curso. E a ironia de tudo isto é que vou receber para estudar muito mais que me pagam aqui para trabalhar’’ - afirma. Ramos foi selecionado pela Vitae junto com outros quatro coreógrafos brasileiros. ‘‘Fui o único do sul do País e ainda não sei quem indicou meu nome. Mas deve ter sido alguém de peso da área que conhece o nosso trabalho’’ - arrisca.
Para ele, isto não seria uma surpresa. Na última temporada no Rio de Janeiro, foram duas semanas de espetáculos com casa cheia todos os dias. ‘‘Nosso trabalho vem sendo reconhecido por todos. Nós estávamos até com um certo medo porque, junto conosco, estreavam no Rio quatro outros espetáculos de dança. Dois deles internacionais, o da Debora Colker e o Ballet de Monte Carlo’’ - explica. Mas, no fim, conseguiram boa repercussão na mídia.
‘‘Além de reportagens em todos os principais jornais do Rio e em oito canais de televisão, sendo quatro deles em nível nacional como o Multishow (canal de TV paga), que nos deu uma reportagem de 10 minutos. E o mais interessante é que a gente era notícia no Rio, com cobertura também na imprensa paulista. A Helena Katz (crítica de dança) fez uma matéria muito legal com a gente, no ‘Estadão’ de São Paulo’’ - conta.
Segundo Ramos, tudo isto aponta que se o grupo conseguir um patrocínio vai ser externo. ‘‘Depois de toda a luta, se a gente tiver esta sorte vai ser patrocínio de empresa de fora de Londrina. É difícil, já que 95% dos beneficiários da Lei Rouanet são do eixo Rio-São Paulo, mas estamos tentando várias grandes empresas’’ - diz.
Para o diretor, a maior dificuldade de conseguir um patrocínio de nível nacional vai ser o preconceito. ‘‘Os próprios críticos, quando vão nos assistir pela primeira vez, saem chocados. Eles nunca imaginam que uma companhia de uma cidade lá do interior do Paraná possam fazer um trabalho tão bom. Afinal, a mentalidade que eles têm é que cultura é só Rio e São Paulo e que o Sul não tem tradição de dança. E a gente está quebrando isto. Basta ver a indicação da Vitae’’ - garante.

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