Última eliminatória do Prêmio Eldorado de Música acontece dia 18
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segunda-feira, 04 de outubro de 1999
Por Antônio Gonçalves Filho 
São Paulo, 05 (AE) - O pintor gaúcho Iberê Camargo costumava recomendar a seus alunos que envelhecessem. Para Iberê
pintura, decididamente, era coisa de velho, ou seja, de gente com experiência existencial suficiente para entender que uma tela não é feita só de habilidade ou técnica. Mais do que entender, é preciso assimilar a história da pintura para ser um bom pintor. Não é muito diferente quando se trata de música. É a conclusão natural quando se ouve jovens instrumentistas tocando, como provou a sétima eliminatória do Prêmio Eldorado de Música, ontem (04), no Teatro Cultura Artística.
Foi uma noite de jovens talentos tentando um lugar no exclusivo mundo dos solistas. Luiz Garcia, trompista que já participou anteriormente do prêmio mais disputado na área erudita, apresentou um programa que foi de Cherubini a Messiaen. A pianista Karin Fernandes, veterana participante de concursos, intercalou Debussy entre duas peças impetuosas, a "Sonata Breve" de Lorenzo Fernandez e a "Sonata n.º 1" de Prokofiev. Finalmente, o trombonista Marim Meira enfrentou a modernidade de Hindemith mesmo correndo o risco de não traduzir exatamente o que Hindemith entendia por harmonia. Tradução difícil - O calcanhar de Aquiles de todo jovem músico é exatamente a tradução do pensamento de um compositor - tarefa ainda mais difícil em se tratando de um colaborador (arrependido) de Brecht. A sua "Sonata para Trombone e Piano" representa a soma de suas contradições, a dúvida de um autor dividido entre a busca da harmonia e a angústia contrapontística. Somando-se a essa situação particular o clima político, que obrigava Hindemith e Brecht à paródia, não é lítico esperar de um jovem de 19 anos que entenda com exatidão o que está acontecendo na partitura. Marim Meira levou Hindemith muito a sério. Faltou humor na canção de "Swashbuckler", para citar apenas uma passagem da sonata. No entanto, seduziu a platéia com o concerto de Blazhevich.
Karin Fernandes tocando Debussy não desvenda o enigma da modernidade, mas parece ter outro entendimento de suas contradições - as peças do "Images Book" fazem a síntese entre o ornamentalismo romântico e a limpeza formal dos modernos. É delicada ao buscar correspondência sonora para os reflexos na água da primeira peça e fiel ao traduzir a atmosfera da época galante de Rameau na homenagem que Debussy presta ao compositor, mas falta algo em seu Prokofiev, talvez a agressividade romântica de um autor solitário e isolado no campo do realismo socialista.
O trompista Luiz Garcia também parece mais à vontade com Cherubini do que Messiaen, mas é possível entender que a peça de Messiaen, "Appel Interstellare", depende fundamentalmente de ambientação e talvez fosse melhor ter invertido a ordem do programa (e diminuir a intensidade dos refletores do teatro) para chegar ao contemporâneo. De qualquer modo, Garcia é um excelente instrumentista. Sua interpretação da "Sonatina" do compositor alemão (naturalizado brasileiro) Ernest Mahle, escrita em 1972, parece mais próxima do espírito de um autor que ainda não tem a projeção merecida. Mahle foi aluno de Krenek e sua sonatina reflete sua formação.
A oitava e última eliminatória do 10.º Prêmio Eldorado de Música será realizada no dia 18 e vai reunir o Duo Sonancias de percussão e piano (Luís Carlos de Oliveira e Cristiane Bloes)
o Dolce Duo de flauta e harpa (Luciana Stadnini Morato e Cristina Carvalho) e o conjunto vocal Jardim Musical. Os ingressos podem ser retirados gratuitamente com antecedência na bilheteria do teatro (Rua Nestor Pestana, 196), no dia da prova, que começa às 19 horas.


