UFRJ lança CD-ROM com resumo da obra de Hélio Oiticica
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segunda-feira, 15 de março de 1999
Por Beatriz Coelho Solva 
Rio, 16 (AE) - O artista plástico Hélio Oiticia ganha amanhã (17) um resumo de sua obra, com o lançamento do CD-ROM "H.O. Supra-Sensorial", pelo Núcleo de Tecnologia da Imagem da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Morto em 1980, Oiticica tornou-se uma referência nas artes brasileiras, pois foi um dos primeiros a sair das galerias e museus e levar seu trabalho para a rua, convocando o público a participar do seu processo de criação.
"Este CD-ROM pretende mostrar a vida e as idéias de Oiticica, a partir de sua obra", explica a diretora Kátia Maciel. Para isso, ela dividiu a navegação em 16 sessões, correspondentes às fases de seu trabalho. Assim, há um capítulo dedicado aos parangolés, outro aos penetráveis, ao tropicalismo (do qual ele foi um dos mentores) e outro, ainda, aos bólides. "O enfoque é a obra, mas quem não sabe nada sobre Hélio Oiticica pode conhecê-lo a partir do CD-ROM".
Para realizá-lo, Kátia e sua equipe trabalharam durante dois anos, desde a inauguração do Centro de Arte Hélio Oiticia, no Rio, quando houve uma grande retrospectiva de sua obra. "Na época, registramos em vídeo toda a exposição, já pensando neste trabalho", conta a diretora. "Depois, pesquisamos no arquivo da família dele, em museus de Nova York, onde ele morou, e conseguimos algumas entrevistas em que o artista explica sua obra ao público".
O CD-ROM recebeu financiamento da Fundação de Universitária José Bonifácio, da UFRJ, da Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado do Rio (Faperj), do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq) e será distribuído em livrarias especializadas. Kátia pretende, ao longo deste ano, lançar outro projeto, mas ainda se balança entre a obra de um artista contemporâneo vivo ou de algum outro neo-concretista. "Nossa idéia é sintetizar a obra de criadores que levam o público a participar do seu processo de criação e, por isso, ainda não escolhemos qual será o próximo lançamento".
Oiticica foi um artista inovador, que experimentou vários suportes para sua obra, mas não chegou a usar os recursos da informática, pois não viveu o suficiente para vê-la popularizada e ao alcance do grande público. "Acho que, se ele estivesse vivo, colocaria seus trabalhos na Internet e em outros meios", sugere Kátia, lembrando que Hélio Oiticica chegou a fazer cinema, embora não tenha chegado a concluir nenhuma de suas experiências nesse campo. "Este CD-ROM pretende traduzi-lo para a multimídia, da forma como o próprio Oiticica faria", garante.


