FÓRMULA 1 Ufanismo nas pistas Galvão Bueno e Reginaldo Leme exageram na locução para transformar Rubinho Barrichello em ídolo do esporte Arquivo FolhaGalvão Bueno tenta passar a idéia de que Rubinho Barrichello e Schumacher recebem o mesmo tratamento na Ferrari Leandro Calixto TV Press A Globo não está medindo esforços para transformar Rubens Barrichello num novo ídolo do esporte nacional. Principalmente agora, com o piloto assumindo o cockpit de uma equipe de ponta, a Ferrari. O estardalhaço que a emissora está fazendo em torno de Rubinho já deu retorno: na primeira prova da temporada, realizada na Austrália, a média foi de 25 pontos no Ibope. Isso para uma corrida transmitida entre meia-noite e duas da manhã, na madrugada do último domingo. Foi uma grande platéia para testemunhar o ufanismo exacerbado do locutor Galvão Bueno e do comentarista Reginaldo Leme. Até é aceitável a torcida para o piloto, mas tentar induzir o telespectador a acreditar que Barrichello recebe as mesmas condições e regalias que o companheiro de equipe, Michael Schumacher, é, no mínimo, subestimar a inteligência do torcedor. Mas por uma questão de marketing, de tentar vender o espetáculo, Galvão e Reginaldo insistem que Barrichello recebe o mesmo tratamento que Schumacher e que não há principal piloto na Ferrari, apesar de ser óbvio que o alemão é o piloto principal da escuderia italiana. No Grande Prêmio da Austrália, Barrichello sentiu por que foi contratado. Passou toda corrida atrás do alemão e quando o ultrapassou foi por determinação da direção da Ferrari. Neste momento da prova, foi patética a comemoração antecipada de Reginaldo Leme. Do alto de seus 27 anos de experiência em Fórmula 1, o comentarista da Globo chegou a iniciar o discurso em que Barrichello seria o primeiro piloto a estrear na Ferrari com uma vitória. Ledo engano. No exato momento da profecia de Reginaldo, Barrichello entrava no box para reabastecer e Schumacher reassumia a ponta. A partir daí, tanto Reginaldo quanto Galvão se dedicaram apenas a valorizar a segunda posição conquistada pelo brasileiro e a dizer que não havia lógica na tática da equipe, consagrada por todos no circo da F1 como a que tem melhor estratégia de corrida. Rubens Barrichello, aliás, fez um ótimo tempo no treino livre que decidiu o grid para o Grande Prêmio da Austrália. Só não conquistou uma melhor posição que a quarta em razão de um acidente na pista justamente no momento que realizava a sua melhor volta. Tinha tudo para, pelo menos, largar na segunda posição. Só que os jornalistas da emissora de Roberto Marinho se esqueceram que Rubinho só chegou na segunda posição na prova porque os dois pilotos da McLaren, o finlandês Mika Hakkinen e o escocês David Coulthard, abandonaram a corrida por problemas em seus carros. Ou seja, ele não precisou se mostrar muito arrojado para conquistar a segunda posição. Ao longo dos anos, Galvão vem se especializando em ser o ‘‘dono’’ de todas as transmissões esportivas da Globo. E, ao que tudo indica, vai continuar sendo neste ano. Principalmente porque Barrichello tem reais chances de conquistar, finalmente, a primeira vitória na Fórmula 1. Basta que Schumacher não esteja no páreo.