Um músico ao fundo da orquestra marca o pulso da peça a ser executada munido de um cajado, que é batido no chão compassadamente. A cena podia ser vista no início do século 19, quando começou a surgir a figura do regente. Lully, músico e compositor francês, foi um destes precursores da regência, que acabou tendo um fim trágico.
Em uma de suas atuações ele teria acertado um de seus pés com o bastão de madeira, que acabou gangrenando. Lully veio a falecer em decorrência deste incidente. ‘‘Costuma-se brincar dizendo que Lully foi o primeiro regente a morrer de regência’’, diz a docente do curso de Música da UEL, Lucy Maurício Schimit.
Antes de Lully, uma orquestra era dirigida por um dos músicos integrantes.
No período da Renascença, o cravista era incumbido desta missão. No Barroco, o primeiro violinista era quem liderava a orquestra. No período do Romantismo é que começa a existir a necessidade de um regente devido à complexidade das peças dos compositores e ao crescimento das orquestras.
Dando um salto na história para os dias atuais, a regência ganhou as faculdades, assim como a música. No Brasil são poucas as universidades que oferecem graduação em música e consequentemente em regência. O resultado, na avaliação de Lucy Schimit, é a proliferação de pessoas que se colocam à frente de coros ser ter, pelo menos, formação básica em música.
Em Londrina isto é comum. A docente da UEL afirma que o movimento de coros na cidade tem crescido muito, mas poucas pessoas têm um conhecimento mínimo sobre música que as habilite a atuar como regentes. Lucy, que há mais de 15 anos é regente, junto com André Luiz, também professor de Música na UEL, decidiram orientar estes ‘‘regentes’’ para melhorar suas atuações.
Através de um projeto de ensino que vem sendo desenvolvido pelo curso de Música com o objetivo de reformular o currículo, foi criada uma assessoria para regentes de coros, que começa a funcionar a partir de 22 de março. Lucy e André Luiz estarão à frente desta assessoria.
A idéia segundo, André Luiz, é atender às pessoas que regem coros em suas empresas, igrejas, bairros, escolas, para tirar dúvidas práticas e teóricas, além de avaliar o nível de conhecimento destes regentes. ‘‘Estaremos trabalhando também no sentido de conscientizar estas pessoas para a necessidade de estarem buscando uma formação musical’’, afirma.
Lucy Schimit explica que a regência é uma atividade complexa que exige no mínimo que se tenha conhecimento em história da música, acústica, harmonia e contraponto, percepção, análise de partitura, além da parte gestual. ‘‘Quem está atuando nesta área tem que saber, por exemplo, analisar uma partitura para escolher qual o melhor repertório para seu grupo executar, de acordo com a possibilidade vocal das pessoas que o integram’’, diz Lucy Schimit.
O trabalho também conta um cadastramento para verificar a quantidade de corais em Londrina e região, que já está sendo feito. ‘‘Queremos melhorar a atuação destes coros’’, afirma André Luiz.

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