Ucrânia em língua portuguesa
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 04 de agosto de 2008
Denise Ribeiro<br> Equipe da Folha 
Com 48 mil habitantes, dos quais 90% de descendência ucraniana, a cidade de Prudentópolis é o ponto de partida de um projeto que vai registrar os hábitos e a cultura dos imigrantes ucranianos estabelecidos no Brasil e em Portugal. O resultado do trabalho será reunido no livro Ucrânia em português, com lançamento previsto para maio de 2009. A equipe também visitará colônias em Mallet, São José dos Pinhais e Curitiba.
A idéia partiu de um convite do embaixador da Ucrânia em Portugal, Rotyslav Tronenko, feito em maio deste ano ao fotógrafo Oswaldo Eustáquio Filho e a sua esposa Sandra Volf Pedro, que apresentavam na cidade portuguesa de Torres Vedras a exposição fotográfica Beleza Ameaçada, sobre a comunidade indígena da etnia Terena no Paraná. Como a Sandra é Terena foi um trabalho bem etnográfico. O embaixador sentiu essa proximidade e gostou do nosso trabalho, conta o fotógrafo, que no novo projeto busca a mesma proximidade com as personagens retratadas. A gente procura conversar, criar um vínculo. São pessoas carinhosas, que gostam de receber visita. Quando a gente ia numa casa era difícil sair, afirma Oswaldo. O trabalho da equipe recebeu até divulgação nas rádios locais de Prudentópolis, segundo o fotógrafo.
Além de Oswaldo trabalham no projeto Ucrânia em português os fotógrafos Jonathan Campos, Luciano Sarote, Rafael Urban, Sandra Volf e Zaclís Veiga. Na primeira visita a Prudentópolis, realizada entre 18 e 20 de julho, foram feitas imagens de dois casamentos na Igreja São Josafat, do Museu do Milênio, do grupo folclórico Vesselka, de moradores da Linha Nova Galícia e de uma festa de casamento à noite na Barra Bonita. Depois do registro nas principais colônias ucranianas brasileiras, a equipe segue para Portugal, onde vai coletar o material restante junto aos imigrantes que vivem por lá.
Vamos mostrar as relações da cultura ucraniana com o Brasil. Eles não perderam a cultura de origem, explica Oswaldo. A comunidade brasileira formada pelos imigrantes que vieram da Ucrânia está na quarta geração. Em Portugal, a colônia ucraniana está na primeira geração e já é a terceira mais numerosa daquele país, depois da colônia de imigrantes do continente africano e da colônia brasileira. De acordo com Oswaldo, o embaixador da Ucrânia em Portugal quer mostrar aos imigrantes ucranianos que vivem em terras portuguesas como os imigrantes mais antigos se estabeleceram no Brasil sem perder os costumes de origem. Os costumes deles são baseados na Igreja e na família, explica o fotógrafo.
Além do livro Ucrânia em português, o trabalho será apresentado na forma de uma exposição que passará por Portugal, pela Ucrânia e pelo Brasil. Em Portugal, ela deve ser apresentada durante a Noite dos Museus, dia comemorado internacionalmente em 18 de maio, com uma apresentação do grupo de dança típica ucraniana Vesselka, de Prudentópolis. No Brasil o trabalho deve ser apresentado em uma mostra itinerante, ainda sem datas confirmadas.


