TVs querem que filme vire série, diz José Padilha
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terça-feira, 09 de outubro de 2007
Folhapress 
Perguntas sobre a violência como forma de resolver a criminalidade dominaram a entrevista do cineasta José Padilha, no ''Roda Viva'' (TV Cultura), transmitido na segunda-feira à noite. Ele acusou de adeptos do ''patrulhamento ideológico'' aqueles que apontam o filme ''Tropa de Elite'' como ''fascista''.
No final do programa, ele reconheceu a possibilidade do filme transformar-se em uma série de TV. ''As televisões querem'', disse.
Questionado se a pirataria ajudou na divulgação da obra, ele respondeu, inicialmente, que não sabia. ''Mas não dá para negar: ela popularizou o filme'', admitiu mais adiante.
Padilha também rebateu críticas de que o capitão Nascimento, personagem principal interpretado por Wagner Moura, fosse encarado como herói pelo público.
O cineasta falou sobre a forma como a platéia tem reagido ao filme nas salas de exibição - ''Tropa de Elite'' entrou em cartaz na última sexta-feira, no Rio e em São Paulo. ''Falaram em reação de júbilo para tortura. Não vi isso'', comentou.
Para o cineasta, o filme apenas retrata uma realidade. ''Que estrutura é essa que precisa de um Bope? Se existe o Bope, a gente já tem um problema. Não é o só capitão Nascimento'', questionou. ''É como se você colocasse um termômetro e ele registrasse 40 graus e a gente quebrasse o termômetro'', comparou.
Segundo ele, o objetivo do filme era gerar o debate sobre a instituição policial. ''O Estado converte miséria em violência. Mas isso não é tudo. Existe uma outra máquina convertendo miséria em violência. E essa máquina é a polícia'', disse.


