ArinoauroNa disputa pela melhor cobertura vale-tudo: do velho caderninho até altas tecnologiasNa beira do gramado, a briga na cobertura da última Copa do Mundo de Futebol do século promete ser acirrada. A tática das emissoras brasileiras é não fazer prisioneiros. Pela primeira vez Globo, Manchete, Band e SBT vão ter satélites independentes 24 horas por dia para a transmissão do evento. A possibilidade de entrar a qualquer instante no ar obriga os jornalistas a usar diferentes armas: desde equipamentos de alta tecnologia até velhos caderninhos com anotações.
Os repórteres da Globo, por exemplo, vão ter sempre por perto um computador portátil para fazer uma pré-edição das imagens das matérias. A idéia é diminuir ao máximo o tempo até a reportagem entrar no ar. ‘‘Vamos selecionar só o necessário e não depender tanto das ilhas de edição’’, avisa Mauro Naves, que vai ser o responsável por marcar corpo a corpo a seleção brasileira para a Globo, ao lado de Tino Marcos e Régis Rosing. Sem ter à mão equipamentos tão avançados quanto a Globo, o locutor Silvio Luiz prefere seguir o mesmo método que utiliza desde a Argentina, em 1978, quando narrou seu primeiro mundial. ‘‘Faço um resumão das Copas num caderninho’’, garante o locutor do SBT.
Embora cada profissional tenha o seu método para se preparar para a Copa, ler os boletins oficias da Fifa é fundamental para todos. Divulgados todos os meses, neles estão contidas as últimas determinações da entidade. Por exemplo: a norma que diz que as seleções têm de abrir um treino à imprensa antes de cada jogo. ‘‘É bom porque obriga os atletas a dar entrevistas para todos e acaba com a história das equipes valorizarem este ou aquele veículo’’, raciocina o comentarista Tostão, que vai cobrir o evento pelo canal por assinatura ESPN, da TVA.
A suposta democracia não tira do repórter com maior número de fontes nas seleções as melhores possibilidades de conseguir informações diferenciadas. ‘‘Meus melhores amigos são os jogadores. O Romário é o maior deles’’, vibra o estreante Régis Rosing, que foi trazido pela Globo da RBS só para a Copa. Mas pelo menos uma regra imposta pela Fifa vai padronizar a batalha dos repórteres de campo durante o evento. Para acabar com o emaranhado de fios em torno do gramado, agora só é permitido entrevistar os jogadores depois das partidas e através de telefone celular. Durante os jogos, apenas os cinegrafistas vão poder ficar à beira do campo. ‘‘O celular virou aliado. Só espero que ele funcione sem problemas’’, diz Antônio Petrin, traumatizado pela péssima telefonia brasileira e que vai pelo SBT para sua terceira Copa.
A conexão entre locutor e repórteres também deve melhorar na França, pois o sistema de áudio atual praticamente eliminou as interferências. ‘‘O retorno no fone é sensacional. Até 1994 me sentia no fundo do oceano’’, vibra o locutor da Band, J. Júnior, que desde de 1978 cobre o evento. Mas nem todos os convocados pelas emissoras separam com precisão cabeças-de-bagre de craques. Ana Paula Padrão, por exemplo, entende mesmo é de política e economia. Mas vai à Copa porque virou correspondente da Globo em Londres. Pela proximidade da França, coube a ela fazer matérias de comportamento. ‘‘Entendo tanto de futebol quanto de Física Nuclear. Mas estou lendo tudo sobre o assunto’’, admite a jornalista.
Ao contrário de Ana Paula Padrão, o repórter Luís Ceará, do SBT, está há 21 anos cobrindo esporte e aposta nos informantes. Em 1990, ele tinha um na comitiva do Brasil que passava informações dentro do banheiro do hotel, às 2 horas da madrugada. ‘‘A tecnologia é uma aliada. Mas não existe matéria boa sem conteúdo’’, adverte Ceará. Já o entrosamento da equipe esportiva é a maior preocupação do comentarista Paulo Roberto Falcão, da Globo. Para ele, não adiantam altas tecnologias se não acontecer uma tabelinha perfeita entre narrador, comentarista e repórteres. ‘‘É igual aos times. Não vale ter 11 craques se não houver entrosamento’’, acredita Falcão.

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