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segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007
Claudio Yuge<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Estréia na próxima sexta-feira, no canal pago Universal, o seriado que pode desbancar o sucesso de Lost e 24 Horas no Brasil, assim como aconteceu nos Estados Unidos. Heroes propõe mistérios e soluções mais convincentes, sugere tramas menos absurdas e aposta na crescente onda dos cinemas dos anos 2000: o fascínio pelos super-heróis e seus dotes fantásticos, claro, turbinados pela tecnologia atual.
A trama é a seguinte: enquanto um eclipse total se aproxima, um professor de antropologia, descendente de indianos, segue a trilha do pai desaparecido, que crê na existência de pessoas com habilidades especiais. Simultaneamente, a líder de torcida Claire Bennet (Hayden Panettiere) descobre que é invulnerável; o jovem Peter Petrelli (Milo Ventimiglia) tenta convencer seu irmão, o político Nathan Petrelli (Adrian Pasdar), que é capaz de voar; a stripper Niki Sanders (Ali Larter) observa que sua imagem no espelho tem vida própria; o nerd Hiro Nakamura (Masi Oka) pode dobrar o espaço e o tempo; o pintor Isaac Mendez pode prever o futuro em suas obras e por aí vai.
Até aí, nada de novo para quem está habituado a... histórias em quadrinhos. Isso mesmo, o criador e roteirista Tim Kring (de Crossing Jordan) resolveu levar o mesmo esquema das HQs para a linguagem da televisão. Para isso, Kring tem ao seu lado alguém experiente nessa função, o escritor Jeph Loeb, autor de Superman: As Quatro Estações, Demolidor: Amarelo, Homem-Aranha: Azul e Hulk: Cinza, entre outros. Loeb foi consultor de Smallville, esteve envolvido nas duas primeiras temporadas de Lost e ajudou aqui e acolá nos textos dos dois filmes do Homem-Aranha.
Não é de hoje que cinema, tevê e quadrinhos fazem parcerias e Loeb mostra maturidade ao comandar um grupo de dez roteiristas para fazer de Heroes algo tão atrativo quanto os melhores capítulos de histórias de Superman ou Batman, por exemplo. Nas HQs, como muitas revistas são mensais e estão aí há mais de 40, 50 ou 70 anos, os autores precisam criar arcos ou seja, episódios em série com começo, meio e fim, através da mitologia dos personagens para agradar os leitores antigos e arregimentar novos fãs. Esse é o segredo de Heroes, que usa o esquema de arcos dinâmicos (e mais velozes do que as infindáveis perguntas e flashbacks de Lost) para explicar o surgimento desses heróis e como eles vão lidar com seus poderes.
A série da NBC teve 14,1 milhões de telespectadores em sua estréia, no dia 25 de setembro de 2006, nos Estados Unidos, e já até figurou com duas indicações ao Globo de Ouro, por Melhor Série e Melhor Ator Coadjuvante (Masi Oka). A Record comprou os direitos de exibição no Brasil mas, por enquanto, ainda não há previsão na grade de programação da tevê aberta. Para quem tem o canal pago Universal, é só sintonizar sexta-feira, às 21 horas, e conferir.


