TV Malvada, mas não muito
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terça-feira, 28 de novembro de 2006
Juliana Alencar<br> Folhapress 
Uma surra é o que falta para Luciele Di Camargo, 29 - ou melhor, a personagem dela, Camila-, se sagrar como a única substituta à altura da demoníaca Sandra (Danielle Winits) em ''Páginas da Vida''.
Depois de seduzir o professor de teatro Horácio (Lucci Ferreira), a garota vai seguir a cartilha da ''prima'' e tentar a todo custo manter o relacionamento com bonitão, sem se importar se a mulher dele, Cecília (Ligia Cortez), der uma de Carmem (Natália do Vale) e decidir resolver no tapa. Ou rodando a baiana.
Nas próximas semanas, Camila será desmascarada pela professora e, ao que parece, terá de enfrentar a fúria de uma mulher traída.
''Nas ruas as pessoas me param e me ''alertam' sobre esse risco. Mas fazer o que, a Camila não é do tipo que desiste fácil'', diverte-se a atriz, que, apesar de defender a personagem com unhas e dentes, torce para que ela receba a mesma lição que Sandra: na novela, Carmem a esbofeteou ao vê-la se insinuando para seu marido, Greg (José Mayer). A cena rendeu 57 pontos no Ibope - um dos recordes da novela.
Luciele admite a semelhança entre o comportamento das personagens, mas prefere não criar muita expectativa sobre o que vai acontecer quando Cecília flagrá-la com o marido. ''(A reação explosiva) daria uma movimentada legal, mas isso está nas mãos do Maneco. O que eu sei é que essa trama ainda promete'', comenta Luciele.
Em seu primeiro trabalho de destaque na TV - antes, havia feito participações pequenas em ''Mulheres Apaixonadas'' (2003) e ''Senhora do Destino'' (2004)-, Luciele está vibrando com a repercussão da personagem, a quem julga ser bastante delicada. A atriz vive uma mulher de 23 anos que ainda não conseguiu sair da adolescência.
Filha da professora de dança Elisa (Ana Botafogo) e enteada de Ivan (Buzza Ferraz), com quem tem uma relação conturbada, a personagem convive com o drama de não saber quem é seu pai e tenta suprir essa frustração em suas relações amorosas. É assim, diz, que justifica a obsessão por homens mais velhos e a rebeldia que canaliza contra a mãe. ''Ao contrário da Sandra, a Camila não se envolve com os homens por diversão e interesse. Ela acha mesmo que ama o Horácio e não mede esforços para ficar com ele'', fala. ''Na verdade, a Camila sofre de carência afetiva. A ausência da figura masculina na infância a marcou muito, e ela culpa a mãe por isso''.
Para a atriz, a personagem está no meio termo entre a ética amorosa da fotógrafa Isabel (Vivianne Pasmanter) e a paixão obsessiva da loira má. ''Ela não é má, nem mau caráter. Só precisa crescer, amadurecer'', diz. ''Espero que ela consiga''.


