TV DIGITAL - Digitalização chega de mansinho
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sábado, 28 de julho de 2007
Liliana Onozato<br> Reportagem Local 
Mais de 90% dos lares brasileiros estão munidos de, pelo menos, um aparelho televisor. Isso representa um total de 170 milhões de telespectadores da luminosa vitrine colorida de sons e imagens em movimento. Com estes dados, fica quase impossível negar o poder que ela exerce na vida das pessoas.
Do início da década de 50 - quando as câmeras da extinta TV Tupi de São Paulo deram largada no processo das transmissões - até os dias atuais, os progressos tecnológicos foram rápidos e evidentes. Bem ou mal, a influência da TV deverá crescer a partir de dezembro deste ano, em virtude do anunciado lançamento da TV digital no País. Afinal, embora seja um assunto bastante comentado, será que a população está ciente de todas as mudanças que estão a caminho?
Antes de prosseguir com a discussão, cabe definir o que vem a ser TV digital. De acordo com Neusa Maria Amaral, jornalista e doutora em Ciências da Comunicação com ênfase em Jornalismo, Mercado e Tecnologia pela Universidade de São Paulo (USP), é a TV que utiliza a linguagem binária do computador para ser produzida e distribuída.
''Hoje existe o sinal analógico que ocupa um espectro muito grande nas ondas. Com a digitalização, pode ser usada a mesma linguagem utilizada no computador; é possível compactar esses sinais, ocupando menos espectro'', completou Neusa Maria.
Para ela, quando se trata de TV digital, o termo convergência é substituído por convivência no meio acadêmico. ''Vai haver uma soma do aparelho televisor com o computador. Entretanto, este aparelho ainda vai conviver por muitos anos com as outras mídias, como rádio, cinema, televisão comum, enfim, principalmente no Brasil, devido ao baixo poder aquisitivo de grande parte da população'', ressaltou.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou, em 29 de junho de 2006, um decreto estabelecendo prazo de 10 anos para que toda transmissão terrestre no País seja digital. Durante este período, os sinais analógicos e o digital serão transmitidos simultaneamente, e é onde entra a principal dúvida: como deverá ocorrer essa transferência? Para tanto, o consumidor deverá trocar de aparelho televisor ou comprar um conversor. O ministro das Comunicações, Hélio Costa, afirmou recentemente, que o custo de um conversor de TV digital não deverá ser superior a R$ 200.
''O governo optou pelo sistema digital japonês, que é o mais sofisticado, mais atual, porém, mais infinitamente caro. A partir da escolha, foi criado o Ginga, um middleware desenvolvido pela Universidade Federal do Pernambuco. Mas isso ainda precisa de investimento pra ser implantado. Além disso, ele também apresentará as limitações da TV paga: não há um sistema de produção e distribuição montado pra ser digital'', argumentou Neusa Maria.
Segundo a pesquisadora, a implantação da TV digital no Brasil é questionável. Para ela, existem outros aspectos prioritários no País que necessitam de investimento. ''Será que é tão importante investir tantos bilhões de reais em TV digital? Na minha opinião não é. Tem aspectos mais essenciais no Brasil do que investir em TV digital ou implantar uma TV pública'', ponderou, apontando que é demonstrado historicamente que o empresariado sempre atropela o governo.
''A primeira TV chegou ao Brasil em 18 de setembro de 1950 por Assis Chateubriand, mas o Código Brasileiro de Comunicações é de 1972, ou seja, 12 anos após ter sido legislado algo que já estava no ar e chegando na casa das pessoas'', disse.


