A TV Cultura vai reativar seu Departamento de Documentários após quase três anos de raras produções no gênero. A informação é do presidente da Fundação Padre Anchieta, que administra a emissora de TV e duas estações de rádio, Jorge da Cunha Lima, reeleito recentemente para segundo mandato de três anos. ‘‘Teremos uma linha de produção intensa’’, informa o presidente. ‘‘Pretendemos realizar um documentário por semana ou pelo menos dois por mês.’’
Os temas dos programas somente serão definidos a partir de uma reunião na segunda-feira entre o novo diretor de jornalismo, Marco Antônio Coelho, e Cunha Lima. Por decisão da presidência, o Departamento de Documentários volta a ser responsabilidade do Departamento de Jornalismo. Nos últimos três anos, a Cultura produziu cerca de três documentários por ano, entre eles, sobre Mário de Andrade e João Cabral de Melo Neto. ‘‘Devemos deter-nos em temáticas das raízes brasileiras, não em pessoas’’, adianta Cunha Lima. ‘‘Casa Grande & Senzala’’, de Gilberto Freire, e ‘‘Os Sertões’’, de Euclides da Cunha, são alguns dos livros que podem vir a ser explorados no gênero documentário. ‘‘Mas pelo menos um documentário mensal será jornalístico’’, afirma.
O programa especial inédito de uma hora de duração ‘‘Abuso Sexual Crime Silencioso’’, sobre crianças vítimas de abusos sexuais, exibido na terça, é exemplo da participação do Departamento de Jornalismo na produção de documentários. A repórter Vera Souto, de Roma, e o correspondente em Nova York, Lucas Mendes, mostraram casos de abusos sexuais e apresentaram as soluções nessas cidades. Entre outros pontos, o programa revelou que 90% dos casos de abuso sexual não são denunciados.
O programa teve também depoimentos de especialistas da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo, do Centro de Referência da Criança e do Adolescente e das Faculdades de Saúde Pública e de Medicina da USP. O especial comprovou que a maioria dos casos de abusos sexuais contra crianças registrados ocorre em famílias pobres. As classes média e alta, de acordo com o programa, encobrem as agressões.
Antes de voltar ao comando do Departamento de Jornalismo, os documentários da Cultura eram coordenados por Teresa Otondo, hoje responsável pelo setor de relações internacionais da emissora.
A reformulação do Departamento de Jornalismo é uma das metas de Cunha Lima, que anunciou investimentos de R$ 15 milhões na modernização do arquivo e dos equipamentos da emissora e na realização das chamadas Oficinas Culturais, série de 44 programas didáticos sobre o mundo das artes, apresentados por atores e roteiristas.

mockup