TV Cultura mostra filme com a atriz
Luiz Carlos Merten
Agência Estado
Ela já foi chamada de primeira-dama e rainha da chanchada. Não era. A rainha da chanchada era Eliana. Zezé Macedo foi sempre a empregadinha da chanchada - ou a criadinha do Brasil, como ela própria se definiu certa vez. Assim, poderá ser vista hoje à noite na Cultura, no filme Rio Fantasia, de Watson Macedo, ao lado de Eliana e John Herbert. O filme já estava programado há dias. Fica sendo agora uma homenagem à atriz que morreu ontem.
Zezé Macedo virou um ícone da chanchada, com Oscarito, Grande Otelo, Eliana, Zé Trindade, Violeta Ferraz, José Lewgoy e Wilson Grey. Todos reinavam nas comédias entremeadas de números musicais (carnavalescos, principalmente), que fizeram a glória da Atlântida. Isto foi nos anos 50, mas para o telespectador dos 90 Zezé é mais conhecida, com certeza, como a Dona Bela no programa Zorra Total, da Rede Globo. Dela, disse Oscarito que era a maior comediante do Brasil. Não há por que duvidar.
Homenageada pelo Festival de Natal, em março do ano passado, Zezé definiu-se como uma operária da minha profissão. Uma profissão que ela levava a sério, embora seu ofício fosse fazer rir, levando alegria a milhões de espectadores.
O mito esculpido no cinema tinha características bem específicas: Zezé era careteira, falava com uma voz que soava engraçada para o público e em geral fazia a tonta. Apesar de suas trapalhadas, sempre conseguia ajudar a mocinha na hora do perigo. Como Wilson Grey, era uma coadjuvante que costumava roubar a cena dos astros e estrelas. Manteve as características, desde o tipo físico até a habilidade para destacar-se, como Dona Bela, no Zorra Total.
Seu sonho, que ela nunca concretizou, era interpretar um grande papel dramático. Dos mais de cem filmes de que participou (foram exatamente 108) preferia De Vento em Popa, de Carlos Manga, com Oscarito. Outro preferido era Este Milhão É Meu, de novo com Oscarito. Mas também era divertido O Petróleo É Nosso, sua estréia na Atlântida, pela mão de Watson Macedo. E não se pode esquecer de As Sete Vampiras, que ela fez com o rei do terrir, o terror permeado de riso, Ivan Cardoso.





