Quase um mês depois de sua morte, a cantora Marisa Gata Mansa ganha homenagem da TV Cultura, que reprisa amanhã, às 22h30, o programa ''Ensaio'' que ela gravou em 1975. O programa ganhou nova edição pelas mãos do diretor Fernando Faro, mas mantém a essência do original.
No decorrer da produção, Marisa fala com sua voz sussurrada que lhe
rendeu o apelido, dado pelo jornalista Djalma Sampaio e vai contando como sua carreira aconteceu, e como se juntou ao movimento da Bossa Nova, que crescia no Rio.
A cantora recorda sua infância na Cidade Maravilhosa dos anos 30, quando
já cantava no coro do colégio e vivia sob a influência do pai barítono e da mãe pianista. Também dá detalhes sobre sua entrada nos nobres salões do Copacabana Palace, onde trabalhou por vários anos como crooner do Golden Room. ''Foi quando eu realmente comecei minha carreira'', diz Marisa para as lentes da produção.
A partir daí, com um empurrãozinho aqui e outro ali da grande amiga Dolores Duran, Marisa chegou à Bossa Nova. Mas, antes de falar da sua contribuição e participação no movimento musical, a cantora relembra sua paixão por boleros e por Dalva de Oliveira ''cantava todas as suas músicas, sempre gostei muito dela'' e dá uma demonstração disso cantando ''Segredo'', composição de Erivelton Martin e Marino Pinto que se tornou um clássico na voz de Dalva e que foi recuperada por Marisa anos depois.
Toda aquela agitada turma da Ipanema dos anos 50 e 60 ganha bastante
espaço no vídeo, quando Marisa vai contando ''casos'' de muitas figuras da época. Afinal, como ela própria recorda na produção, ''eu vivia nas colunas do Ibrahim Sued.'' Nas histórias que ela conta, um nome (não à toa) está praticamente todo o tempo presente: João Gilberto, um dos amores de sua vida. ''Ele era bastante esquisito, daquele jeito que vocês sabem'', conta.
E outros nomes vão pintando, entre eles, o do compositor João Donato. Com essas histórias, Marisa vai dando forma e uma abordagem mais íntima ao que foi a bossa nova. ''O Donato e o João tinham os diálogos mais engraçados'', comenta. ''Um olhava para o outro e dizia: 'olha que estrela bonita!' Depois de uma hora, o outro virava e falava: 'É...''' E entre um caso e outro Marisa canta ''Samba de Minha Terra'', ''Cry Me a River'', e muitas outras canções.

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