São Paulo, 19 (AE) - A mulher rompeu os muros domésticos e conquistou seu lugar na sociedade neste século. Mas essa revolução social trouxe novas questões sobre o relacionamento entre homens e mulheres. A brasileira também esteve atenta à evolução das relações sociais e mudou o modo de viver.
São essas alterações e esses novos desafios que a TV Cultura narra a partir de domingo, às 20 horas. A série "O Século das Mulheres no Brasil" conta a história do Brasil nos últimos cem anos sob o olhar feminino. A entrada da mulher no mercado de trabalho é o primeiro tema da série de dez episódios. Apoiado em uma rica reconstituição histórica, o vídeo mostra que o milagre econômico determinou a entrada maciça da mulher no mercado de trabalho. A indústria precisava de mão-de-obra e a mulher, de liberdade. "Antes disso, quem trabalhava fora era mulher da vida", conta a costureira Romilda Melhado.
Para contar um pouco dessa história, nada melhor que mulheres que participaram desses momentos decisivos. A lista inclui de Marilena Chauí a Ana Moser, passando por Carmem Portinho, a terceira mulher formada em engenharia civil no País. As mulheres comuns também têm seu espaço. Romilda conta com humor o episódio em que contou ao namorado que era costureira. "O namoro acabou na hora", lembra. Foi com essa profissão que o trabalho feminino ganhou impulso no País. Nos anos 20, São Paulo ganhava ares de metrópole. As chapelarias, armarinhos e confecções borbulhavam e absorveram a mão-de-obra das costureiras. Mas trabalhar fora não era bem-visto. Só as viúvas e as muito pobres eram perdoadas.
Já, nos anos 60, a revolução sexual e a pílula acabaram com a ditadura da função de mera reprodutora. A mulher tornou-se dona de seu corpo. Com a possibilidade de planejar a família, a carreira ganhou mais importância. Nos anos 70, uma em cada cinco mulheres já trabalhava. Hoje, elas ocupam cargos de comando e somam, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 40,4% da população economicamente ativa do País. Mas, apesar das conquistas, ainda há muito o que ser mudado.
A diretora e roteirista Rosani Madeira ressalta: "A dupla jornada é escravizante; as mulheres ainda são as principais responsáveis pela administração da casa e pela criação dos filhos". E completa: "Meu principal objetivo, além de contar essa história, foi refletir sobre a condição da mulher". Outro detalhe importante lembrado por Rosani, que dividiu a direção com Danilo Palásio, foi a condição precária do trabalho. O número de mulheres empregadas esconde outro problema: 40% do trabalho feminino não tem condições básicas trabalhistas. "A maioria é mão-de-obra desqualificada que desconhece seus direitos".
Os outros programas da série tratam de esportes, artes, política, sexualidade, cinema, televisão, literatura, ciência e futuro. Mas é a entrevistada Rosiska de Oliveira quem resume melhor o século das transformações. "Foi preciso uma revolução para se constatar o óbvio: que o mundo é feito de dois sexos".

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