O documentário ''Um Furacão na Botocúndia'' vai ao ar hoje, às 20 horas, pela TV Cultura. O filme mostra a vida e obra do escritor Monteiro Lobato (1882-1948), numa reconstituição que remonta à infância em Taubaté (SP) até desembocar em sua morte passando pelos livros e lutas que ele travou.
O vídeo foi produzido pela Fundação Banco do Brasil em parceria com a Odebrecht. A direção é de Roberto Elisabetsky, com roteiro de José Roberto Torero, que baseou-se no livro homônimo publicado em 1997 pela editora Senac. Traz imagens históricas, depoimentos do homenageado e de escritores como Ziraldo, Ruth Rocha, Marcos Rey, José Mindlin, Tatiana Belinky, Geraldo Casé e Ignácio de Loyola Brandão.
O documentário reforça a imagem de Lobato como uma das figuras mais progressistas do País na primeira metade do século 20, ajudando a enterrar os preconceitos que o associaram ao nacionalismo arcaico e a detrator do movimento modernista por sua crítica à pintura de Anita Malfatti. Homem de ação, ele nunca deixou as idéias descansarem.
Ao tê-las, tratava logo de colocá-las em prática. Criador do bordão ''Um país se faz com homens e livros'', não poupou a indolência do caboclo brasileiro, criando o personagem Jeca Tatu para satirizá-lo. Empreendedor, inaugurou o mercado de livros no País abrindo a editora Monteiro Lobato & Cia. De 1927 a 1931, foi adido comercial no consulado do Brasil em Nova York (EUA), nomeado pelo presidente Washington Luís.
De volta, empreendeu campanhas de saneamento básico nas cidades e de prospecção de petróleo. Durante a ditadura de Getúlio Vargas, teve seus livros retirados das bibliotecas escolares do Distrito Federal. Foi preso duas vezes em 1941 sob acusação de comunismo. Depois de desistir das carreiras de advogado e fazendeiro, partiu para o jornalismo e depois para a literatura.
Como escritor, deixou para os adultos ''Urupês'' (1916), seu grande livro de contos e um best-seller na época. Para a garotada, inventou o ''Sítio do Pica-Pau Amarelo'' imortalizando os personagens Emília, Narizinho, Dona Benta, Pedrinho, Tia Anastácia e Visconde de Sabugosa. Modelo de literatura infantil, deixou uma marca de genialidade influenciando gerações.(N.S.)

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