São Paulo, 29 (AE) - No enterro de Luís Carlos Prestes, em março de 1990, nasceu o documentário Prestes, a "Última Coluna", que passa amanhã (30), às 20h30, pela TV Cultura. Entre a multidão de 5 mil pessoas que acompanhava o cortejo do "cavaleiro da esperança" (nome da obra de Jorge Amado sobre o ex-capitão do Exército e maior nome do Partido Comunista do Brasil), Luiz Carlos Prestes Filho conheceu o jornalista Emílio Gallo. Durante os últimos quatro anos de vida de Prestes, Gallo colheu mais de 60 horas de gravação com depoimentos do lendário comandante da maior marcha militar da história, a Coluna Prestes. Depoimentos inéditos.
Cada qual, com seu material e projetos na mão, se dispôs a dividir o roteiro e a direção do documentário de 54 minutos, que vai ao ar por meio de uma co-produção entre a Cultura e a Quatro Filmes. Atual secretário da Cultura do Estado do Rio, Luiz Carlos Prestes Filho percorreu o País em 1995, com uma mochila nas costas, para refazer o caminho trilhado pela Coluna. Ele se diz surpreso com as histórias que encontrou. "O povo tem muita memória", diz. Dois anos depois, faria o convite aos Cavaleiros da Serra - grupo gaúcho que viaja a cavalo por regiões que foram cenários de episódios importantes da história - para partirem da cidade gaúcha de Santo ¶ngelo com destino a Descanso, em Santa Catarina.
O trecho do trajeto reproduz o que a tropa gaúcha de 1,5 mil homens, liderada por Prestes, percorreu para encontrar os paulistas que reivindicavam a queda de Arthur Bernardes. Do encontro, formou-se a Coluna Prestes, marcha que durou 2 anos e 7 meses, trilhada a pé ou a cavalo por 25 mil quilômetros quadrados, derrotando 40 generais do Exército por 13 Estados brasileiros. Convite aceito e mais material para a produção. E agora gente e paisagens vivas. Os diretores realizaram o filme com as imagens dessa viagem, além de cenas extraídas dos arquivos da Cinemateca e da Cultura (como as do marechal Rondon).
Para Prestes Filho, o trabalho é um "filme-mosaico", sem pretensão de explicar didaticamente a Coluna. "Pretendemos emocionar e chamar a atenção para o que esteve por tanto tempo oculto da história oficial", conta o diretor, que deseja que o filme vá da TV para salas de aula de escolas e universidades. Na vinheta do programa aparece um rosto sendo esculpido. A semelhança com Tirandentes não é gratuita. A foto usada como modelo pelo escultor carioca Maurício Bentes, conta Prestes Filho, é a mesma de Prestes (de 1927, quando a Coluna chega ao fim) que Portinari usou para criar o seu Tirandentes, hoje exposto no Memorial da América Latina, em São Paulo.

mockup