TV Cultura cai na folia
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terça-feira, 21 de fevereiro de 2006
Nelson Sato<br>Reportagem Local 
Quem sofre de carnavalfobia, já pode ir tirando o aparelho de televisão da tomada. A TV Cultura dá a largada hoje para a operação-folia dedicando uma programação especial à maior festa popular do Brasil. Depois dela, todas as demais emissoras caem na farra comandada pelo Rei Momo.
Na Cultura, o acontecimento religioso da raça como escreveu Oswald de Andrade em um de seus célebres manifestos modernistas ocupará a telinha até o dia 05 de março, quando vai ao ar um documentário sobre o cantor e compositor Otávio Henrique de Oliveira, o Blecaute, autor de grandes sucessos do carnaval carioca.
Ao longo da maratona, estão previstos flashes da cobertura do Carnaval de Salvador, na Bahia. Um especial com Adoniran Barbosa abre a jornada hoje, às 20 horas, trazendo um depoimento e uma apresentação do compositor paulista que interpreta clássicos como Trem das Onze, Saudosa Maloca e Samba do Arnesto.
Amanhã, às 22 horas, Silvia Poppovic apresenta uma edição especial de Carnaval em seu programa ao som da bateria da escola Gaviões da Fiel. Poppovic entrevista várias personalidades: a Rainha da Beija-Flor, que dançou com o príncipe Charles; o rei Momo de São Paulo, que atinge seu segundo reinado; e a atriz e modelo que desfilou em todas as escolas de samba do Grupo Especial paulista.
O programa inclui ainda a história de uma filha que fez um pedido diferente ao pai: ter uma escola de samba, que hoje é a Leandro de Itaquera. O programa fala também sobre a volta dos blocos de rua em todo o País. Na sexta, às 02h30, o programa Repórter Cultura destaca A Embaixatriz do Samba abordando a trajetória de Carmen Miranda nos 10 anos pouco conhecidos de sua vida artística no Brasil, antes de se tornar estrela internacional.
Serão exibidos trechos raros de suas participações em programas da televisão americana, em filmes e nos musicais que a consagraram no Brasil e no exterior. No sábado, a programação temática começa às 7 horas da manhã com a exibição do documentário O Carnaval é Assim, que mostra manifestações culturais do Nordeste, como o Caboclinho, o Bumba-meu-boi e o Urso (homem trajando máscara de urso e macacão de estopa); além de mostrar a origem e as características do frevo, das antigas marchinhas e do famoso Maracatu do Baque Virado.
Também no sábado, às 10 horas, a turma do Cocoricó (formado por Júlio, as galinhas Lilica, Zazá e Lola, o cavalo Alípio e outros amigos da fazenda) apresenta um musical de Carnaval, além de protagonizar uma cativante história que ensina as crianças sobre a importância de se cuidar de um ser vivo. Ainda no sábado, às 17 horas, o programa Bem Brasil recebe a madrinha do samba Beth Carvalho.
No mesmo dia, às 22 horas, o programa Senta que lá vem Comédia traz a peça cômica Se o Anacleto Soubesse..., de Paulo Orlando, na qual o Carnaval faz pano de fundo para a uma família da década de 50. Com direção de Bete Dorgam, a montagem traz no elenco Denise Del Vecchio, Ângelo Brandini, Miguel Bretãs, Mara Faustino, Pedro Pianzo e outros.
A programação carnavalesca prossegue no domingo com a exibição do especial Enredos, apresentado pelo cantor e compositor Paulinho da Viola. A atração, que vai ao ar às 20 horas, traça um panorama completo do samba de quadra, também conhecido como samba de terreiro, precursor do atual samba-enredo (ou samba de enredo).
Gravado totalmente no Rio de Janeiro, o programa traz locações em Madureira, na quadra da Portela, na casa de Carlos Cachaça, no morro do Macaco e em Vila Isabel. A trajetória do samba de quadra, as características desta importante manifestação da música popular brasileira e seus principais compositores e sambas são relembrados por grandes sambistas cariocas, como Carlos Cachaça, que fala sobre os antológicos encontros da Praça Onze e das antigas batucadas; e Martinho da Vila, que comenta os sambas atuais.
Participam ainda do programa Monarco, Ivone Lara, Mestre Fuleiro, Zé Ketti, a velha guarda da Portela, Elton Medeiros, Mauro Diniz (filho do Monarco), Dodô (porta-bandeira da Portela na década de 30) e Delegado (mestre-sala da Mangueira também nos anos 30). A noite de gala continua à meia-noite com o especial Uma Noite no Zicartola, show musical gravado em 2003 no Sesc Vila Mariana, em São Paulo, em homenagem ao sambista e compositor carioca Cartola.
A apresentação retoma o clima que reinava no bar Zicartola, criado em 1963 por dona Zica e Cartola, que durou dois anos e foi um marco na noite carioca ao reunir bambas e lançar talentos. Participam deste especial o cantor e compositor Zé Renato, Elton Medeiros (participante do Zicartola e um dos parceiros de Cartola), Nelson Sargento (mangueirense e também parceiro de Cartola) e Jair Costa (compositor portelense conhecido no mundo musical como Jair do Cavaquinho).
Entrando na semana seguinte, a Cultura exibe uma série de edições temáticas do programa Ensaio, sempre às 20 horas. Na segunda (dia 27), a atração é Carlinhos Brown e Timbalada; na terça, o grupo Olodum; na quarta (1º de março), Martinho da Vila; na quinta, o Trio Elétrico (Armandinho, Dodô e Osmar); na sexta-feira, Marisa Monte e a Velha Guarda da Portela; e no domingo (dia 05 de março), o cantor e compositor Otávio Henrique de Oliveira, o Blecaute.
No mesmo pique, serão exibidos vários programas da série MPB Especial, sempre às 01h30. Cartola e Dona Zica são as atrações da segunda-feira (dia 27); Jamelão é o destaque da terça; Nenê de Vila Matilde a atração de quarta-feira (dia 1º de março); e a Velha Guarda da Portela será a convidada de quinta-feira (dia 02).
Nem o Castelo Rá-Tim-Bum ficou imune à folia. Na terça-feira, dia 28, o famoso programa vai ao ar às 14h30 ambientando o episódio durante o Carnaval. No mesmo dia, o reinado de Momo invade também o programa Contos da Meia Noite (00h00) apresentando narrativas de Bandeira Branca e João do Rio. Para o sábado, dia 04, a emissora reservou o horário de 01h30 para exibir o documentário Geraldo Filme, que retrata o universo do samba e da cultura negra paulista a partir da obra do compositor Geraldo Filme.
Ele é considerado um dos principais incentivadores do samba paulista. Com determinação e paciência, sempre estimulou as manifestações da cultura negra, ajudando a diminuir o preconceito. Participou de movimentos para fazer crescer o carnaval paulistano, organizando cordões e blocos, que mais tarde se transformaram em Escolas de Samba. Foi o primeiro presidente da União das Escolas de Samba do Estado e diretor da Vai-Vai. Compôs cerca de 70 músicas, algumas gravadas por cantoras como Beth Carvalho e Clementina de Jesus. Era adorado por toda a comunidade do samba. Morreu em janeiro de 1995, aos 67 anos. O diretor Carlos Cortez resgatou todos esses fatos e transformou a história do sambista em documentário.


