TV competente
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quinta-feira, 02 de abril de 1998
Estelio Feldman 
TV Press/Arquivo FolhaEva Wilma: excelente interpretaçãoDe vez em quando, como ocorreu até mesmo há alguns dias no Manhatan Conection, que a GNT apresenta aos domingos, surge o tema sobre os motivos pelos quais a TV brasileira é tão competente para produzir novelas e não consegue o mesmo resultado com as séries. É uma colocação discutível. Sem muito esforço, é possível lembrar de algumas séries muito boas, já produzidas pela televisão brasileira como Malu Mulher, Carga Pesada, Amizade Colorida e, há mais tempo ainda, a impagável Grande Família, sem contar a fantástica Família Trapo, da época em que a Record era uma das grandes, com participações marcantes de Jô Soares, Otelo Zeloni e Roberto Corte Real, entre outros.
O que talvez ocorra é que o esquema industrial da TV no Brasil privilegia as novelas porque não só o retorno do investimento é mais seguro como, e devido à estrutura mesmo da televisão no país, pelo fato de que o mercado para séries é menor. Nos Estados Unidos, os estúdios produzem as séries para grandes redes locais e com um potencial enorme de possibilidade no Exterior. O custo, que é dos mais altos, acaba melhor repartido.
Que, porém, o Brasil sabe fazer séries de TV (assim como, também, sabe fazer cinema) é indiscutível. E, na quarta-feira, a Rede Globo deixou isto evidente de novo com o lançamento de Mulher, uma proposta muito séria no setor. Houve quem (inclusive eu) considerasse, face às chamadas, estar diante de uma espécie de imitação de Plantão Médico, a excelente série norte-americana. Engano: pela estrutura, em comparação, Mulher talvez esteja mais perto de Chicago Hope, outra série norte-americana centrada em hospitais. Todavia, seria injusta a comparação porque a idéia lançada pela Globo é a de um enfoque digno sobre problemas médicos e sociais envolvendo principalmente as mulheres. E o drama da própria personagem central, vivida pela competente Eva Wilma, a médica que descuida da própria família em função do trabalho, faz parte integrante do proposta colocada pela série.
O capítulo inicial, na quarta-feira, foi não apenas bom mas criou uma expectativa positiva. Um forte elenco, que além de Eva ainda tem Patrícia Pillar, Carlos Zara, Lúcia Alves, entre outros, um desenvolvimento ágil da trama, uma temática das mais polêmicas, tudo isto leva a crer que se está diante de mais um grande trabalho da TV brasileira. O que comprova de novo que também em termos de séries temos gente muito competente.


