Já faz tempo que a tevê não se limita a entreter e reunir a família na sala de casa. Ela diverte, mas também presta serviço e é usada como fonte de informação e até para resolução de problemas. Desde conselhos sobre a educação dos filhos no ''Supernanny'', do SBT, dicas de economia doméstica no ''Mais Você'', da Globo, receitas culinárias no ''Bem Família'', da Band, até toques para melhorar a vida sexual no ''Falando de Sexo com Sue Johanson'', do GNT. O telespectador aplica em sua vida muito do que vê na televisão. ''No Brasil poucos têm acesso à orientação educacional e pedagógica. Topei participar do programa porque auxilio inúmeras famílias em todo o País'', defende Cris Poli. Ela faz sucesso com a versão nacional do ''Supernanny'', que ensina truques para domar crianças travessas. Educadora há 32 anos, ela afirma que suas orientações podem ser usadas por qualquer pai. E foi justamente o poder de alcance desse meio de comunicação que a fez aceitar o convite.
Na MTV, a VJ Penélope Nova pode não ter formação como sexóloga, mas seus toques no programa ''Ponto Pê'', da MTV, são ouvidos com muita atenção pelos jovens que ligam para o programa. A apresentadora se vê como uma amiga conselheira de quem participa para tirar dúvidas. ''O público busca ajuda mesmo. Às vezes aparecem assuntos delicados e eu sou obrigada a indicar um terapeuta'', conta a apresentadora.
Nos programas de variedades, conversas com especialistas em saúde sempre estão na pauta do dia e rendem muita repercussão. Vildomar Batista, diretor do ''Hoje em Dia'' da Record, diz que quando contam com a presença de médicos, o número de e-mails e telefonemas supera as expectativas. Mas ressalta que a produção não tem a pretensão de resolver os problemas das pessoas, e sim de apontar caminhos frente ao precário serviço de Saúde pública no País. ''Na tevê o telespectador tem uma orientação gratuita, mas sempre indicamos que procure o consultório'', pondera.
Olga Bongiovani, que comanda o ''Bom Dia Mulher'' na Rede TV! diz que os telespectadores não apenas participam muito quando há pautas sobre saúde no programa, como também sugerem temas sobre os quais têm dúvidas. Ela recorda uma história curiosa e que teve boa repercussão. Foi quando mostrou uma cantora que tinha a rara Síndrome de Borderline. ''No dia seguinte choveram e-mails com questões de pessoas que tinham o distúrbio e chamamos um médico para esclarecer'', lembra Olga.
No ''Mais Você'', Ana Maria Braga também montou uma agenda com contatos que começam a dar orientações sobre os mais diferentes temas a partir deste mês. Há consultores fixos sobre Pediatria, Ginecologia, Decoração e até Astrologia na lista. Mas a apresentadora destaca que as pessoas não querem saber só de temas sérios todos os dias. ''Por isso também ensinamos culinária, o nosso carro-chefe, e artesanato. Para quem está desempregado é uma grande prestação de serviço'', valoriza.
Enquanto alguns programas mesclam assuntos sérios com diversão, outros tentam transformar entretenimento em assunto sério. No ''Encontro Marcado'', da Rede TV!, Luiz Antônio Gasparetto se propõe a fazer uma terapia em grupo na televisão. Psicólogo formado, ao menos tomou o cuidado de cancelar o registro profissional antes que as discussões absurdas do programa pudessem prejudicá-lo. Na Band, Márcia Goldschmidt, que nunca chegou a cursar Psicologia, também se propõe a oferecer a solução para conflitos dos telespectadores. Como traições e desencontros amorosos. ''Sou uma especialista nos dramas existenciais. Sei ouvir e entender. Nem todos têm acesso a profissionais especializados e a tevê tem poder de influência imediato. Promove uma catarse'', filosofa a apresentadora. Em meio a toda oferta da tevê, o público só precisa selecionar que informação vale a pena absorver.

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