Turnê, participações e álbum doméstico
Folha - Qual foi o critério para selecionar as músicas?
Branco Mello - A idéia básica era fazer uma releitura geral, pegando músicas que fizeram sucesso e apresentá-las ao público com uma nova roupagem. O critério inicial foi escolher músicas que se adequassem aos arranjos com orquestra e evitar aquelas que tinham sido gravadas no álbum ao vivo Go Back (lançado em 88). Só que esse conceito foi mudando no meio do caminho. A gente entrou no clima comemorativo dos 15 anos da banda e acabou colocando músicas que a princípio estavam de fora. Foi o caso de ‘‘Polícia’’, que acabou entrando porque o resultado ficou muito legal com o público fazendo coro. Mas a idéia básica era pegar músicas mais melódicas, não gritadas.
Folha - As quatro músicas inéditas (‘‘Os Cegos do Castelo’’, ‘‘A Melhor Forma’’, ‘‘Nem Cinco Minutos Guardados’’ e ‘‘Não Vou Lutar’’) foram compostas já para o formato acústico?
BM - Exatamente. São músicas recentes. Foram feitas já com essa mentalidade.
Folha - Fale um pouco sobre as participações especiais...Aliás, por que a Maria Bethania não participou das gravações como vocês tinham anunciado?
BM - No caso da Bethania, as agendas não bateram. Com os demais tudo rolou naturalmente. A Marisa Monte é amiga da banda, já tinha cantado ‘‘Flores’’ num show com a gente. O Fito Paez é uma figura, ele é da mesma gravadora que a gente e está se lançando no Brasil. A Marina viu o nosso show, ficou maravilhada e resolvemos convidá-la para recitar o texto do Cabeça Dinossauro, que foi uma música que selecionamos para marcar aquele disco que foi considerado recentemente pela crítica como o melhor álbum pop da década. A Rita Lee não pôde participar do show porque tinha sofrido um acidente e estava com um problema no maxilar, mas acabou gravando em estúdio. E, por fim, o convite ao Arnaldo Antunes tinha todo sentido só pelo fato de ele ter participado de 10 dos 15 anos da banda.
Folha - Houve alguma música que, para você, teria ficado melhor do que a versão original?
BM - Não dá para comparar as gravações originais com as versões acústicas. Apesar da essência e dos acordes serem os mesmos, elas ficaram com outra cara. É um disco de 22 faixas que, como um todo, apresenta muita unidade nos arranjos.
Folha - Vocês planejam fazer uma turnê do disco?
BM - Pretendemos levar o show acústico para algumas cidades. A idéia é fazer essa turnê com orquestra apenas nas cidades que disponham de teatros adequados. Numa segunda etapa, queremos percorrer outras cidades com um show mix incluindo partes acústica e elétrica.
Folha - Vocês estão preparando um outro disco para esse ano, não?
BM - A gente quer lançar outro trabalho para daqui uns dez meses com músicas que não foram aproveitadas em nossos discos reunindo faixas de demo-tapes, gravações em hotéis, músicas feitas no avião só com violão. Seria o nosso álbum doméstico. Junto dele, temos planos de lançar um documentário em homevideo, já que temos cinco anos de gravações com câmera VHS. Além disso, vamos lançar também uma caixa com todos nossos CDs remasterizados. Mas isso só no ano que vem.

mockup