Turistas preferem minipacotes
PUBLICAÇÃO
domingo, 12 de outubro de 1997
Agência Estado 
fotos: Arquivo FolhaTendência forteLondres e Paris: pacotes de uma semana estão dando um ótimo retorno, dizem as operadoras
ft3b13Quando as férias ainda não eram um direito dos trabalhadores reconhecido por lei, pensava-se que se os empregados passassem mais de dois dias longe da produção ficariam frustrados. Mesmo com jornadas semanais de até 70 horas, os trabalhadores não podiam ter dias de descanso, muito menos remunerados. Hoje que o direito é lei e todas as empresas são obrigadas a dar 30 dias corridos de folga por ano aos funcionários, e ainda com um adicional salarial, são os trabalhadores que estão, por conta própria, reduzindo o período de ausência na empresa, dividindo as férias em intervalos de tempo menores, mas saindo mais vezes ao ano.
A tendência é internacional. Nos Estados Unidos, um levantamento feito pela Travel Industry Association of America afirma que, nos anos 90, pela primeira vez, mais da metade das viagens feitas pelos americanos consistia em roteiros de fim de semana, ou seja, períodos de não mais de cinco noites fora de casa. Para se ter uma idéia do crescimento dessa tendência, em 1986 esse número era 42% e em 1996 já era de 52%.
Esse dado acabou forçando as agências de viagem a repensar o perfil de seus pacotes de viagem e preços e os hotéis e cidades turísticas a se reorganizarem para receber mais gente por períodos menores.
Mais ocupadas A primeira razão encontrada para explicar essa redução no tempo de viagem é a de que as pessoas estão cada vez mais ocupadas, tornando difícil se ausentar de casa por muito tempo. Se antes em uma família só o homem trabalhava e a mulher o seguia quando ele conseguia sair de férias, agora são duas pessoas tendo de coincidir o período de folga? Isso quando um dos dois não tem mais de um emprego.
Além disso, a indústria do turismo é uma das que mais crescem a cada ano, em todo o mundo. Por isso, investimentos feitos nessa área acabam gerando muito mais lugares para se visitar hoje em dia, entre novos resorts, hotéis, parques temáticos e destinos antes inexplorados. Assim, o turista acaba optando por passar menos tempo em mais lugares.
Os pacotes de oito dias são o que mais vendemos, afirma a gerente de Vendas da Nascimento Turismo, Leila Colombo. Ninguém viaja mais 20 ou 30 dias, todos preferem dividir as férias e viajar duas vezes por ano, diz a gerente, que afirma já estar sentindo essa mudança há cerca de três anos.
Essa tendência é muito forte, concorda o gerente de Operação e Vendas da Stella Barros, Marcelo Araújo. Identificamos no ano passado e neste ano investimos a fundo nisso. Criamos pacotes de uma semana em Paris, uma em Londres e uma em Nova York, etc. e estamos tendo um ótimo retorno. Araújo também acredita que esse não é um fenômeno só brasileiro. Nos Estados Unidos, é muito comum as pessoas dividirem as férias em quatro semanas espalhadas durante o ano.
Preço reduzido Dia-a-dia corrido, vontade de sair de casa mais vezes ao ano e poder conhecer mais lugares. O diretor regional de Vendas da operadora CVC, Fernando Augusto Paulo, dá mais um motivo para a redução das férias: o preço. Há cinco, seis anos, as pessoas gastavam US$ 6 mil em 20, 30 dias viajando pela Europa, afirma. Hoje, elas preferem ir à Europa por menos tempo, mas pagando apenas US$ 1.500. Segundo o diretor, a CVC lançou um pacote de oito dias para Londres que está sendo um sucesso total.
Mas não são apenas os minipacotes que fazem sucesso entre os viajantes de poucos dias. Os cruzeiros marítimos, tradicionalmente viagens longas, que chegavam a durar meses, também encurtaram para ganhar mais público. Os minicruzeiros, que começaram a ser vendidos no litoral brasileiro no ano passado, são agora o grande sucesso das empresas de cruzeiros.
Já na primeira semana de agosto, quando os pacotes foram lançados, quase todos os minicruzeiros de dezembro se esgotaram, de acordo com o diretor comercial da Costa Cruzeiros, Eduardo Magalhães de Souza. Sem dúvida, os minicruzeiros atingem um maior número de pessoas, diz ele. Pelo tempo, pelo preço, está crescendo muito a procura por esse tipo de viagem. Souza compara: um cruzeiro tradicional, com duração de cerca de dez dias, custa em média US$ 1.600. Os minis, de três a cinco dias, saem por US$ 560 por pessoa, com acomodação do mesmo nível e todas as refeições.


