Turistas não têm consciência e faltam campanhas educativas
Turistas não têm consciência
e faltam campanhas educativas
Agência Estado
O Pantanal já chegou a abrigar mais de 10 mil aves, entre garças brancas e cinzas, colheiros, cabeças secas e savacus. Cada ave põe em média três ovos; portanto, a cada ano que os ninhais ficam vazios, cerca de 15 mil filhotes deixam de nascer. Este é apenas um dos problemas enfrentados na região pela exploração sem critérios.
Israel Waligora, proprietário da Ambiental Expedições, concorda com a falta de uma política de eco-desenvolvimento equilibrado. Além da falta de consciência de alguns turistas, existe a necessidade de campanhas educativas por parte dos próprios governos. Ainda se pratica a pesca predatória, que não respeita a piracema, não há infra-estrutura para o turismo e, pior, a fiscalização é absolutamente inexistente, lamenta. Segundo ele, é muito fácil burlar as leis para o tráfico de animais silvestres. Pequenos aviões descem normalmente no Pantanal e voam para o Paraguai com centenas de animais silvestres engaiolados. E não se vê nenhuma política mais rígida para se combater isso, destaca.
Os animais do Pantanal estão protegidos pela lei 5.197 que proíbe a caça de animais selvagens no Brasil. Entretanto, essa desatenção com o que o mundo denomina maior santuário da humanidade está colocando em risco milhares de espécies.
Como empresário, digo que a região ainda resiste por uns dez anos, como frequentador assíduo digo que o Pantanal está sendo desabitado. Algumas coisas melhoraram, por exemplo, hoje se pode ver mais jacarés do que há cinco anos. Mas, de uma forma geral, de três anos para cá a situação tem piorado sistematicamente, observa Waligora.
Ele cita também a construção da Hidrovia Paraguai-Paraná, como outra agressão. Várias empresas ligadas ao turismo fizeram campanhas para evitar que esse projeto se concretize. O governo parou de falar no projeto como um todo, houve muita pressão internacional. Agora o problema são as pequenas obras, que podem resultar no projeto final, destaca.
A hidrovia em funcionamento, representa a destruição de refúgios ecológicos, habitat de milhares de espécies, muitas em extinção. Assim como o uso de agrotóxicos, a investida de coureiros, a exploração desordenada da agricultura e da terra. O assunto foi tema de debates, mais no exterior do que no Brasil e, na Internet, há vários sites sobre esta polêmica investida do governo brasileiro. Mesmo assim, ainda há tempo para visitar a região e apreciar o que a natureza reservou aos brasileiros, um lugar encantado, conhecido pelos índios como Mar de Xaraiés.





