A alta taxa de crimes violentos pode estar repelindo os turistas estrangeiros da África do Sul, mas aqueles que vão visitá-la estão indo aos bandos a um dos lugares mais duros da terra: Soweto. Ciceroneados por guias locais, eles se aventuram cuidadosamente pelo reduto negro - são cerca de 1 milhão de habitantes (não se sabe ao certo) para ver a ‘‘verdadeira’’ África do Sul.
O passeio começa em um ponto de táxi compartilhado, entupido de miniônibus velhos - dirigidos por rivais de morte, que frequentemente se utilizam de tiroteios contra a acirrada concorrência, mesmo levando passageiros. Eles são a única forma de transporte para a maioria dos negros.
O único ônibus cheio de faces brancas parte. Na estrada, passando os açougues, vendas e vendedores, que fazem muito do comércio de Soweto, está o local onde ficam os veículos roubados, enfileirados longe até onde o olho alcança. Então pode-se ver as casas dos mais ricos e dos mais pobres da cidade, uns barracos posseiros, feitos de chapas de aço e outras, mansões, em ‘‘Beverly Hills’’.
As ‘‘mansões’’ são impressionantes, mas não podem se comparar com as vilas e jardins do tamanho de parques que existem em Johnannesburgo, no passado área exclusiva área para brancos. Os visitantes podem ver como um proprietário de casa sobrevive sublocando sua garagem e pátio para uma dúzia de famílias pobres.
Sem água e luz O passeio também inclui os marcos da revolta das escolas de 1976, que apressou o fim do apartheid; uma igreja que se tornou o centro da resistência negra; um shebeen (bar no fundo de uma casa), e uma passadela rápida pelas horríveis hospedarias para imigrantes.
As profundas mudanças políticas dos últimos anos obviamente ainda não chegaram à cidade, mas podem ser vistas nas estradas recém-asfaltadas e novos projetos de casas populares brotando pela região.
Por 100 rands (US$ 25 aproximadamente), a excursão de meio-dia custa tanto quanto muitos dos moradores de Soweto (aqueles com sorte de terem trabalho) ganham em uma semana.
Os aventureiros podem então cantar, dançar e beber a noite toda nos shebeens, em uma excursão chamada ‘‘Soweto depois do entardecer’’, ou mesmo ficar em um dos vários novos ‘‘bead-and-breakfasts’’ (hospedaria pequena, literalmente cama-e-café-da-manhã) da cidade.
Os turistas, a maior parte branca, mas alguns deles negros americanos, voltam
impressionados pelo bom espírito, simpatia e amizade do povo, mesmo daqueles que moram em barracos sem água nem luz.

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