Natal - O italiano Conrado Fonzi, de 42 anos, desembarcou pela primeira vez no Brasil há 2 anos. Três semanas de férias do banco onde trabalha em Roma bastaram para ele se apaixonar pelo País – e pela baiana Patricia dos Santos Souza, de 28, com quem hoje vive na Itália. Por pouco tempo. O casal planeja morar em Natal, onde Conrado já comprou 30 imóveis, com dois sócios italianos – para comercializar no mercado europeu.
  ‘‘O turista europeu que vem ao Brasil quer duas coisas: certeza do sol e conforto.’’ A primeira é garantia em Natal, terra onde, se diz, faz sol 360 dias por ano. A segunda fica por conta dos investidores estrangeiros, que conhecem o mercado europeu. ‘‘O retorno sobre o investimento é imediato’’, garante Fonzi que vem ao Brasil a cada dois meses em vôos diretos de Roma ou Milão a Natal. ‘‘Em oito horas, estou em casa.’’
  O Rio Grande do Norte foi o Estado que mais recebeu investimentos estrangeiros no País, vindos do bolso de pessoas físicas. Elas injetaram em terra potiguar R$ 65 milhões em 2005. Principalmente para a segunda residência. ‘‘Rio Grande do Norte cresce em função do turismo. Muitos vêm e acabam comprando um segundo imóvel – ou não vão embora. O mercado hoje se volta para esse público’’, diz Alan de Mello, do Grupo Capuche, que vendeu recentemente em Ponta Negra um condomínio com 360 apartamentos, 40% para estrangeiros. ‘‘O valor da venda é o mesmo, mas a liquidez é maior e o pagamento, à vista.’’
  A demanda dos turistas estrangeiros criou um boom imobiliário. Estima-se que 41 novos empreendimentos absorverão R$ 480 milhões nos próximos dois anos – destes, apenas 5 são de grupos brasileiros. Estão previstos 97 hotéis com 15.440 unidades e 31.340 leitos, além de 15.929 casas e 20 campos de golfe. Apenas dois projetos são em Natal. O restante é em praias ainda primitivas como Touros, onde haverá 763 casas em condomínios fechados, um campo de golfe e dois resorts.
  São empreendimentos como o do grupo português VBC, que inaugurou em agosto o Lagoa Ecoresort, com investimentos de R$ 10 milhões. Tem tudo o que os europeus esperam: área verde, vista para o mar e a Lagoa de Guaraíra, casarões espaçosos, hidromassagem. ‘‘O turista europeu é o nosso target’’, diz o português Eduardo Martins, ex-executivo da Portugal Telecom e um dos sócios da VBC. O que mais o atrai no Brasil? ‘‘Ter 2.432 praias, 180 milhões de habitantes e menos turistas do que Portugal. Esta terra tem muito a crescer.’’ O grupo também está investindo em dois novos resorts em Sauípe e Ilhéus e deve pôr R$ 25 milhões no Brasil em 2006.
  O moçambicano João Mesquita, de 37 anos, achava o Brasil perigoso até vir a primeira vez, a convite de um amigo. ‘‘Voltei, falei para a minha mulher: arrume as malas que estamos a ir ao Brasil.’’ Mudou-se com a mulher e as filhas de 2 e 8 anos. Fundou a Casa Brasileira Investimentos Imobiliários com o sócio inglês Garry Tenton, sua ponte na Europa. Estão construindo um condomínio fechado de casas mobiliadas com 350 m2 em área total de 21 hectares e estação própria de tratamento de esgoto. O empreendimento fica em Muriú, a 45 minutos da capital, mas com a ponte que o governo estadual prometeu sobre o Rio Potengi, em Natal, a distância deve cair pela metade. ‘‘O Rio Grande do Norte é uma área de grande potencial pela localização privilegiada à beira-mar, proximidade com Europa, e o clima. Acho engraçado quando o povo daqui sai de casaco aos 20 graus’’, diz João.
  ‘‘A indústria turística vive um boom em Natal. É, ao lado dos investimentos estrangeiros, o que mais trouxe receita ao Estado’’, diz Francisco Soares de Lima Júnior, subsecretário de Turismo do Rio Grande do Norte. Natal fez aeroporto para dez anos e em quatro já precisa de outro.
  ‘‘Não conheço nada melhor para um País do que o turismo. A expansão imobiliária vem no rastro’’, diz Ricardo Abreu, presidente da Imobiliária Abreu, fundada em Natal em 1973, que hoje tem no mercado europeu 50% da sua clientela e representantes na Inglaterra, Portugal, Noruega e Suécia. ‘‘Lá fora tem tsunami, terrorismo, os furacões do Caribe. O Brasil é um paraíso sem problemas’’, acredita Conrado. (A.C./AE)

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