Turista nada acidental
PUBLICAÇÃO
sábado, 16 de outubro de 2010
Márcio Maio<br>TV Press 
Zeca Camargo sempre gostou de se aventurar em experiências novas. E foi exatamente assim que, há 23 anos, iniciou uma trajetória no jornalismo capaz de fazer inveja na maior parte dos profissionais brasileiros. Foi correspondente da ''Folha de S. Paulo'' em Nova Iorque, chegou a editar o caderno de cultura do mesmo jornal e a revista ''Capricho'', participou do lançamento da MTV como um dos VJs mais lembrados do canal e apresentou o ''Fanzine'' na TV Cultura.
Mas foi na Globo que ele ficou conhecido por suas voltas ao redor do mundo, mostrando desde os principais monumentos às maiores cidades do planeta. ''A maioria dos jornalistas diz que quer ser como eu. Muita gente se oferece para ser meu assistente. Mas sempre brinco que precisam pegar senha, porque a fila é enorme'', diverte-se o apresentador do dominical ''Fantástico'' que, na verdade, estudou Administração de Empresas, Publicidade e Propaganda e Filosofia.
Há 14 anos no programa, Zeca garante que é a capacidade de reinvenção da produção, que comemorou 37 anos em 2010, que o faz não querer sair. E já planeja novidades para o próximo ano. Claro, sem tirar o passaporte da pasta de trabalho. ''Sugeri uma nova volta ao mundo e uma série voltada para os adolescentes'', adianta ele, que também é coordenador de séries e quadros do ''Fantástico''.
O ''Fantástico'' é um dos programas da Globo que mais explora a interatividade. Ainda existem barreiras na hora de se conectar com os telespectadores?
Existem limites na compreensão das pessoas sobre a linguagem de tevê. É um veículo que faz tão parte deles, com uma informalidade tão forte, que nem sempre percebem o que funciona ou não no ar. Não somos um blog, estamos em cadeia nacional, com um compromisso. O cara não pode falar qualquer coisa. Mas fazemos algo que agrada demais o público e nem é divulgado no programa, só na nossa página na internet: nos intervalos, eu e a Patrícia Poeta ficamos no chat com os internautas. É pouco tempo, uns três minutinhos entre as chamadas, mas as pessoas ficam encantadas.
Você se acostumou a falar para os jovens na MTV, na TV Cultura e na revista ''Capricho''. No ''Fantástico'', também trabalha em quadros e matérias para esse tipo de público. Como é lidar com eles aos 47 anos?
Eu não posso mentir que não tenho 47 anos e nunca escondo minha idade. Não vou chegar usando gírias, falando ''irado'', até porque esse não sou eu. Quando faço algo direcionado para os jovens, tento me mostrar como alguém que não faz parte do universo deles, mas que conhece esse universo. Se um garoto de 17 anos escuta um disco do Bob Dylan, sabe que se trata de alguém que não está cantando especificamente para ele. Mas também sabe que o cara já teve 17 anos e tem noção de como é essa fase.
De todos os jornalistas no Brasil, você é um dos que mais viaja a trabalho, em função de suas séries de volta ao mundo. Como você lida com isso?
Sei que isso desperta o interesse das pessoas, só que, de verdade, é bem menos glamouroso do que parece. É trabalho mesmo, a gente vai para uns lugares complicados. Nova Iorque e Tóquio tudo bem, mas vai parar em países menores, quase sem estrutura e tendo de gravar uma série! É instigante, eu adoro, mas dá muito trabalho.
Você tem ideia de quantos países e cidades já visitou?
Eu brinco que fui a 94 países e meio, porque conheci a Alemanha Oriental, que hoje não existe mais. Agora, sobre cidades, são mais de 500 fácil! Já viajei muito. Houve anos em que eu fui nove vezes a Londres. Tem uma produtora que brinca que Londres é o bairro mais distante de São Paulo para mim, porque vivo lá. Mas a gente faz matérias na Inglaterra. Em 2007, por exemplo, várias bandas de Londres estavam vindo se apresentar aqui e a gente queria entrevistá-las.
Depois de viajar tanto a trabalho, o que você faz quando está de férias?
Eu viajo também, ué!? Mas existe uma pequena distorção porque, como eu viajo muito para trabalhar, fica mais difícil tirar férias. Este ano, fiquei fora um mês fazendo as megacidades. É como se não pudesse tirar férias. Acabo tirando períodos curtos. Posso pegar uns cinco dias e ir para Madri na segunda para voltar sexta, essas coisas. Minhas últimas férias grandes foram em 2007, antes de me tornar oficialmente apresentador do ''Fantástico''.


