Não importa o nível de dificuldade ou a localização de uma trilha. Todas requerem os mesmos cuidados para a caminhada não se transformar em uma grande ''roubada''. A primeira medida é certificar-se do profissionalismo do responsável pelo passeio. ''É preciso ter cuidado, pois existem muitos 'eco-oportunistas' por aí'', diz Luiz Cruz, de 35 anos, dono da Trilhas do Rio.
A empresa atua no mercado desde 2002 e todos os seus 20 guias são treinados e credenciados pelo Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur). ''Certas empresas fazem um site bonito para atrair o público, mas não investem em capacitação e equipamento'', afirma. Pedir referências, analisar currículo ou consultar a Embratur são medidas de precaução indicadas.
Aventurar-se sozinho ou sem alguém que conheça muito bem o trajeto e os cuidados a serem observados pode ser um caminho só de ida. Um guia profissional é preparado para prever situações de risco e vai garantir a qualidade do passeio.
Escolher a trilha de acordo com o preparo físico dos participantes é fundamental. O nível de dificuldade varia de acordo com os obstáculos e a distância do percurso. ''Se não estiver em condições, a pessoa pode colocar em risco o bem-estar do grupo'', diz Cruz. ''Além disso, vai odiar o programa e não volta nunca mais.''
Seja qual for a época do ano, deve-se começar a caminhada sempre de manhã. Isso garante o retorno sob a luz do dia e uma temperatura mais amena durante o trajeto, o que é ainda mais importante em trilhas totalmente expostas ao sol, como a das praias selvagens, ou com mata muito fechada, como é o caso do Corcovado.
Use roupas leves e confortáveis, além de calçados com relevo na sola e fechados, para prevenir torções e picadas de cobras e insetos. Agasalhos são indicados para os dias mais frios ou em altitudes elevadas.
Na mochila, não podem faltar: no mínimo, 1,5 litro de água, alimentos chocolate, cereais, biscoitos, bolachas e frutas , lanterna, pilhas, uma muda de roupas extra, celular e kit de primeiros socorros.
Já foram registrados assaltos em alguns percursos, principalmente em locais próximos a favelas, como a Pedra da Gávea. ''Qualquer trilha é mais segura do que as ruas de Copacabana'', diz Martinos Van Beeck, de 64 anos, guia do Centro Excursionista Brasileiro (CEB) há dez anos. Ele diz que nunca passou por uma situação de violência, mas aconselha evitar trilhas não sinalizadas.
E é fundamental ser um ''trilheiro'' consciente. Isso implica levar todo o lixo consigo, até mesmo cascas de frutas: apesar de biodegradáveis, podem não constar da dieta habitual dos animais da região. (R.B.)

mockup