Turismo sustentável terá certificação mundial
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 29 de agosto de 2001
Liana John<BR>Agência Estado<BR>De Campinas 
O turista interessado em qualidade, quando viaja, hoje pode buscar cerca de 100 tipos de certificações turísticas diferentes, conforme o destino e o tipo de selo procurado, entre os ambientais, sociais e econômicos. A Organização Mundial de Turismo (OMT) quer mudar esta confusão, unificando tudo em uma certificação de turismo sustentável. E o Brasil é candidato a testar um projeto-piloto do novo selo, a ser detalhado com a ajuda de uma coalisão de 25 organizações não-governamentais (ongs) coordenadas pela Rainforest Alliance, que já tem experiência com o turismo certificado.
No Brasil, diversas ongs, como o Fundo Mundial para a Natureza (WWF), Imaflora e Fundação SOS Mata Atlântica, estão se organizando em câmaras técnicas para discutir padrões e propor projetos para o ano de 2002, Ano Internacional do Ecoturismo. Alguns princípios e indicadores, que nortearão este turismo sustentável, foram discutidos em recente reunião da OMT, em Cuiabá, com apoio da Embratur e do Ministério do Meio Ambiente.
A certificação que mais se aproxima do ideal sustentável é a Green Globe 21, utilizada pela Costa Rica, um país menor do que o Estado de São Paulo, que tem 35% do seu território protegido em parques e anualmente recebe mais turistas do que todo o Brasil.
''O que chamamos hoje de ecoturismo, turismo rural, turismo de aventura e outros termos do gênero deve dar lugar apenas ao turismo sustentável, que terá uma classificação de acordo com indicadores econômicos, ambientais e de responsabilidade social'', explica Mário Mantovani, da SOS Mata Atlântica. A entidade mantém um projeto de ecoturismo no Lagamar, litoral sul de São Paulo, considerado exemplar e premiado internacionalmente.
Para o WWF, o turismo sustentável tem que ser compatível com a conservação efetiva dos recursos naturais e operar dentro da capacidade de suporte de cada área, sem prejudicar a regeneração e a produtividade futura dos recursos naturais. Também deve valorizar a cultura e as comunidades locais dos destinos visitados, assegurando o acesso adequado destas comunidades aos recursos econômicos proporcionados pela atividade turística.
As operadores de turismo devem desenvolver programas com a participação das ongs certificadoras, tendo depois as atividades monitoradas para assegurar o cumprimento dos padrões certificados. Também devem se envolver na educação ambiental e/ou treinamento de investidores, profissionais de turismo, comunidades anfitriãs e turistas.


