TURISMO RURAL CRESCE NO PARANÁ
Projeto Campos Gerais, do governo do Estado, vai desenvolver a atividade em 25 municípios; passeios crescem 20% ao ano
Da Redação
DivulgaçãoA Fazenda Cainã, em São Luiz do Purunã, é uma das 21 opções de turismo rural no Paraná, oferecendo passeios equestres e outras atividades ao ar livreSão Luiz do Purunã, distrito de Balsa Nova, tem 600 habitantes, mas pretende se transformar numa comunidade de 3 mil pessoas com os projetos de turismo rural que estão sendo implantados na região. Sete pousadas vão ser construídas e a única já instalada no local vai quadruplicar sua capacidade hoteleira.
Seis empresas também querem se mudar para São Luiz do Purunã, entre elas uma indústria de chocolate, uma de embutidos artesanais e um café colonial. O perfil econômico da vila deve mudar. E o êxodo de seus jovens para cidades maiores com certeza será menor, graças aos cerca de 400 empregos que a indústria do turismo vai gerar.
Os planos deste local histórico, com mais de 200 anos, não são uma iniciativa isolada. O turismo rural tem crescido muito no Estado. ‘‘Até quatro anos atrás, esta modalidade de turismo era quase inexistente no Paraná. Hoje, com o apoio da Secretaria de Turismo, estão sendo reunidos os empreendimentos que já existiam e convidados potenciais investidores para atuar no setor’’, explica o chefe da Coordenadoria de Planejamento Turístico da Paraná Turismo, Carlos Guilen.
A Eco Paraná, empresa governamental responsável por projetos de grande porte como a Costa Oeste, está trabalhando em um programa que vai beneficiar 25 cidades na área de turismo histórico, rural e ecológico, incluindo Balsa Nova, onde fica São Luiz do Purunã. O Projeto Campos Gerais, ainda em fase de estudos, vai identificar, até o final do ano, os locais onde serão desenvolvidos os diversos tipos de turismo.
‘‘Toda a região de Campos Gerais tem potencial muito grande para o turismo rural e ecológico, mas nós temos que identificar onde existe interesse empresarial para investir nesta área’’, explica o diretor da Eco Paraná, o arquiteto Taco Roorda.
O panorama internacional do ecoturismo ajuda a animar empresários. Estima-se que 10% das pessoas que viajam sejam ecoturistas, o que deve aumentar já que este mercado vem crescendo 20% ao ano, segundo as estatísticas de operadores turísticos especializados. Em 1988, uma pesquisa realizada junto a turistas que visitaram o México, indicou que 58% visitaram pelo menos um parque ou área protegida, 28% visitaram dois parques e 13% foram a três.
Campos Gerais deverá aproveitar esse crescimento, desenvolvendo o ecoturismo na região localizada no Segundo Planalto Paranaense, que se caracteriza pela presença de campos naturais. Ponta Grossa é o epicentro dos Campos Gerais. A cidade está localizada a 100 km de Curitiba, posicionada em um dos nós do anel de integração que está sendo consolidado no Paraná.
A região vai oferecer roteiros diversos, passando por cidades e fazendas históricas, favorecendo as caminhadas e os passeios equestres, organizando um roteiro de etnias e gastronômico, entre outros. A espinha dorsal de todo o percurso será o Caminho de Viamão, estrada criada em 1736 e que viabilizou o ciclo do tropeirismo no Sul do País.
A Eco Paraná prevê como ações governamentais para a região o apoio de marketing, a capacitação de mão-de-obra local para turismo e o incentivo a eventos e atividades relacionadas à história e à cultura da região. Além da infra-estrutura, o que inclui acessos e sinalização das estradas. Com os estudos previstos para serem concluídos no segundo semestre, o trabalho de implantação do projeto deverá começar no próximo ano.
A Paraná Turismo, por seu lado, também está se mexendo para acelerar o turismo ecológico e rural no Estado. Desde 1995 ela vem desenvolvendo um trabalho com operadoras de turismo, secretarias municipais de meio ambiente e interessados em investir no setor para criar um regimento de eco turismo no Estado. Já foram realizados oito workshops sobre o assunto.
Todo mês, a Secretaria de Turismo reúne 25 municípios. O objetivo é capacitar pelo menos duas pessoas de cada município para fazer um planejamento municipal de turismo. Essas pessoas se encarregam do treinamento de outros funcionários na região.
Com essas medidas, dos 399 municípios do Estado, pelo menos 200 já têm uma estrutura de turismo. ‘‘Antes não chegavam a 80 as cidades que se cadastravam no relatório de informações turísticas da Embratur. Hoje, com o incentivo do governo, mais de 200 cidades estão inscritas’’, ressalta Guilen.

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