Alguns filmes são tão marcantes que muita gente tem vontade de protagonizá-los na vida real. Em muitos casos, isso já é possível. E há indícios de que a dobradinha cinema e turismo seguirá afinada. Isso porque os destinos onde são rodadas as grandes produções dão mostras de terem aprendido a capitalizar os benefícios que a indústria do entretenimentos pode trazer. Tudo leva a crer que, com um passaporte na mão e um filme na cabeça, os fãs da telona passarão em futuro próximo a ter cada vez mais opções no turismo cinematográfico.
O exemplo mais notável se deu com a Nova Zelândia. O país serviu de cenário para todos os filmes da trilogia ''O Senhor dos Anéis'', um sucesso estrondoso de bilheteria no mundo inteiro. Lançada progressivamente em dezembro de 2001, dezembro de 2002 e dezembro de 2003, observou-se um incremento expressivo no número de turistas que visitaram o país nesse período.
Se em 2000 a Nova Zelândia havia recebido 1.786.765 visitantes, quatro anos depois já com a trilogia nas telas do mundo todo , o país foi o alvo de 2.334.153 turistas. Muitas agências de viagens formataram pacotes para os locais onde foram feitas as filmagens houve mais de 150 locações , contribuindo para o êxito da estratégia de atrair visitantes por meio do filme.
''Os benefícios trazidos à economia do país foram também a longo prazo e não apenas imediatistas, como se poderia pensar'', comenta a embaixadora da Nova Zelândia no Brasil, Denise Almao. Ela destaca que mais de 5 mil conterrâneos foram empregados durante as gravações. ''Mas os maiores ganhos foram para o turismo e, naturalmente, para a reputação e a infra-estrutura cinematográfica'', diz.
E não deve parar por aí. Um remake de ''King Kong'', com direção de Peter Jackson, está sendo rodado na Nova Zelândia com takes em Nova York, claro e tem estréia prevista para dezembro.
O mesmo caminho tem sido seguido por outros países, como a Costa Rica. O pequeno país centro-americano também soube transformar em promoção turística o sucesso da trilogia de ''Jurassic Park - O Parque dos Dinossauros'' (1993, 1997 e 2001).
De olho no filão, o consultor, professor e presidente da Anhembi Turismo o órgão de promoção e divulgação turística da cidade de São Paulo , Caio Luiz de Carvalho, alimenta a idéia de criar uma Film Comission para a metrópole paulistana. ''São Paulo é cidade de vanguarda, tem de ter uma Film Comission à altura, que capte produções no exterior'', defende. ''O cinema brasileiro está em ascensão e a indústria do conhecimento na América do Sul passa por São Paulo'', complementa.
E o fenômeno espalha-se pelo mundo.
A Itália vai promover de 22 a 24 de junho, na Ilha de Ischia, a Bolsa Internacional de Turismo Cinematográfico (www.cineturismo.it). O evento será celebrado concomitantemente à 7 edição do festival de cinema local e a intenção é reunir expositores, regiões, operadores e Film Comissions de todo canto do planeta para fomentar o que vêm chamando de ''cineturismo''.
Enquanto os responsáveis pela indústria do entretenimento e do turismo trabalham, gente como a historiadora de arte Elvira Ortega, de 25 anos, se diverte. E muito, há tempos. Cinco anos atrás, ela foi a Roma e alugou uma lambreta. ''Percorri todo o circuito turístico de Roma me sentindo Audrey Hepburn em 'A Princesa e o Plebeu' (filme de 1953)'', conta.

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