Turismo pela janela do trem
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terça-feira, 16 de maio de 2006
Flora Guedes<br> Equipe da Folha 
Curitiba Visto pela janela do trem, o Paraná é um espetáculo da natureza. Pelo ângulo, poderia ser uma obra de arte esboçada num quadro. Da poltrona, e a 25 quilômetros por hora (velocidade média do trem), é possível observar com detalhes a paisagem deslumbrante, em parte esculpida pelas mãos do Criador, e noutra, a marretadas e muito esforço pelo homem. A viagem de trem de Curitiba a Paranaguá é o segundo destino turístico mais visitado do Estado, com cerca de 150 mil turistas por ano.
O transporte, além de ser o registro histórico de uma época de desbravamentos e ousadia da engenharia do século XIX, é uma das raras oportunidades de contemplar a biodiversidade da Mata Atlântica ainda nativa e é claro, a imponente e original araucária. No embarque, quem dá o tom do passeio são os apitos estridentes da maria-fumaça. Da estação até Paranaguá, os turistas têm pela frente 110 quilômetros de malha ferroviária secular e uma diferença de altitude de mais de 900 metros. Para quem optar por desembarcar em Morretes, opção da maioria dos turistas, a distância é reduzida em 40 quilômetros.
No roteiro estão 13 túneis, quatro estações fora as desativadas e em ruínas , 41 pontes e viadutos, represas e muitos abismos. O trem faz o contorno da Serra do Mar, que divide o Primeiro Planalto Paranaense e a Plánície Costeira, o que proporciona um visual de formações rochosas e vegetação irretocável, que de longe, parece um imenso tapete verde. O primeiro atrativo é Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba, município com menor insolação do Paraná e com oito meses de inverno. Chamada cidade dos mananciais, no solo, em boa parte encharcado (várzea), brotam mais de mil fontes de água cristalina que formam o rio Iguaçu e responsáveis pelo abastecimento de mais de 50% da Grande Curitiba pela Represa Cayuguava. Em Piraquara, 75% do território é preservado.
Um dos passeios, que vai de van até Morretes e volta de trem, faz parada em Piraquara para uma boquinha. Na cidade, pode-se saborear um café colonial reforçado no Armazém Piraquara (41 3345-9281), que também sedia um centro comercial para compra de artesanato local. O pacote que inclui as passagens e o café colonial sai por R$ 124,00, e traz refeição com bebidas, pães, patês, pratos quentes, empadões e tortas salgadas, além de mesa farta de guloseimas. Na seqüência, o trem passa pelo túnel Roça Nova, o maior do trajeto, com 429 metros de extensão. Logo depois, adentra a vegetação da Mata Atlântica e o conjunto de montanhas onde está encrustrada a Barragem do Rio Ipiranga e pertinho dali, a queda dágua Véu da Noiva e o Pico do Diabo.
As próximas atrações são o Santuário do Cadeado e a Ponte São João, sendo esta última, toda em estrutura metálica, com 110 metros de extensão e 55 metros de altura. Adiante, mais um pouco de emoção. Isso porque no Viaduto Carvalho, não é possível avistar nem os trilhos do trem, apenas o precipício do gigantesco vale, que até nos mais corajosos provoca um frio na barriga. Ao entrar no Parque Estadual Marumbi, o turista pode avistar o Monte Olimpo, que de tão alto, fica com seu cume invisível entre as nuvens. O parque é o ponto de encontro de aventureiros, em busca de banhos de cachoeiras, trilhas e escalar o Pico Marumbi (1.539 metros).
Descendo mais um pouco a serra, a paisagem vai mudando e o clima também, que fica mais quentinho. Já está próxima a cidade histórica de Morretes. De lá, mais 1h30 de viagem chega-se a Paranaguá, no Litoral do Estado. O passeio de trem também é aprazível ao bolso. É operado pela Serra Verde Express, com preços que variam de R$ 37,00 (ida e volta) na classe econômica a R$ 182,00 na litorina, transporte mais moderno e confortável, que ao contrário dos vagões, não é puxado por locomotiva e tem força automotriz.
O trem parte, diariamente às 8h15 e volta às 19h, com capacidade para comportar quase mil passageiros em 18 vagões. A litorina só nos finais de semana e feriados, sempre às 9h15. Guias fornecem informações sobre o trajeto nos vagões, para ninguém perder os atrativos.


