Partindo do princípio de ‘‘conhecer para aprender a respeitar’’, um grupo de 40 alunos da quarta série do Colégio Pontual teve recentemente a oportunidade de participar de uma aula viva que objetiva o conhecimento e o respeito pela natureza. Quebrando a rotina da sala de aula, eles visitaram o Projeto Jabuti, uma ação ousada – inspirada em um modelo alemão e encabeçada por um grupo de empresários da região – de aliar lazer, apreciação da natureza e conhecimento dentro do conceito de turismo pedagógico.
  Localizado a 12 quilômetros da área central de Londrina, na Rodovia Luiz Beraldi (também conhecida como Estrada da Cegonha), a área do empreendimento compreende 500 mil metros quadrados, divididos em reflorestamento de eucalipto, mata atlântica preservada, além de cachoeiras, lagos para pesca, riachos, nascentes, pomar e horta orgânica.
  Contando com boa infraestrutura para atender os estudantes, o projeto tem como diferencial ser um parceiro da escola. A ideia é manter as visitações agendadas apenas para grupos escolares e o roteiro de atividades é organizado conforme as necessidades específicas de conteúdo de cada escola. ‘‘A proposta é ir ampliando ainda mais esse trabalho de parceria, elaborando programas personalizados para cada escola. Futuramente teremos um laboratório de peixes, alojamentos e piscinas, dentro de uma estrutura de resort, mas voltada ao público escolar’’, adianta a coordenadora comercial Alessandra Kerche.
  Os monitores são universitários de áreas afins com a proposta de trabalho e a equipe inclui uma pedagoga, um biólogo, um veterinário e um professor de educação física. Além deles, funcionários que cuidam da manutenção da propriedade e moram no local também interagem com as crianças, como o ‘‘Dr. Terra’’, que fornece explicações apuradas sobre o cultivo de diversas culturas.
  Logo no início do passeio os alunos puderam conhecer uma exposição com peças artesanais de comunidades indígenas do Alto Xingu, fazendo referência ao Dia do Índio, comemorado ontem. Cocares, instrumentos musicais, redes e colares encantaram os alunos e eles também puderam brincar de peteca, resgatando uma brincadeira criada pelos índios. ‘‘As flautas e os colares são lindos’’, comenta a aluna Ana Júlia Giocondo.
  No caminho à área preservada de mata atlântica, eles iam conferindo as plantações de milho e feijão, ouvindo atentamente as informações fornecidas pelo Dr. Terra. Na reserva ambiental, placas explicativas nas árvores chamam a atenção pela variedade de espécies, como o cipó d’água, que serve como reservatório natural de água.
  Na ‘‘Nave do Conhecimento’’, os alunos tiveram um contato mais aprofundado sobre o plantio de hortaliças, a formação de mudas e quais variedades são plantadas com sementes. Com o auxílio do personagem Repórter Rural, caracterizado por um dos monitores, os estudantes fizeram várias perguntas e tiraram dúvidas. Eles também conheceram o local onde é feita a compostagem do material orgânico produzido pela propriedade e que se transforma em adubo.
  Numa parada estratégica, eles degustaram caldo de cana e tapioca, uma iguaria de origem indígena feita a partir de mandioca e muito apreciada no Nordeste.
  Já na ‘‘Estação Natureza’’ o contato com os animais foi a grande diversão, acompanhada por explicações didáticas sobre as características de cada espécie.
  Depois de assistirem a uma corrida de jabutis, com direito a torcida organizada, eles acompanharam de perto uma ordenha manual, conheceram a égua Princesa, o boi Juvenal, um carneiro, porcos, galinhas botadeiras, perus, peixes e os mais corajosos puderam até pegar um sapo na mão. ‘‘Foi a primeira vez que pude tocar em um sapo e ele tem a pele bem gelada. Não tenho medo dos animais. Acho que nós, humanos, assustamos muito mais eles’’, disse Arthur Gomes Rossito, de 8 anos.
  No final do passeio, um lanche com suco de fruta, cachorro-quente, pipoca e bolo de chocolate encerrou a expedição dos novos admiradores da natureza, que também aprenderam sobre a extração e tingimento da lã e participaram de uma atividade artística sobre o Dia do Índio antes de irem embora.
  Na opinião da coordenadora Encarnação Duarte, do Colégio Pontual, esse tipo de atividade ajuda a fixar o conteúdo dado em sala de aula, principalmente por valorizar a parte lúdica. ‘‘É uma forma interessante de aliarmos a teoria e a prática. Além disso, a possibilidade de agregar o programa da visita com o conteúdo que estamos estudando facilita o trabalho do professor. Os monitores também são bem preparados, há uma riqueza de informações e é um passeio bem seguro’’, avalia.
  As visitas podem ser agendadas pelo tel. (43) 3327-8898 ou pelo e-mail [email protected]. Os pacotes custam a partir de R$ 20 por pessoa, incluindo lanche.

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