Sol, mar, areia, sangria e preços baixos. O coquetel turístico vencedor da Espanha está prestes a perder um ingrediente vital que poderá acabar com sua supremacia no mercado turístico europeu.
Quando o euro - a moeda comum da União Européia - começar a circular, a Espanha, atualmente detentora do título de terceiro destino turístico mais popular do mundo em termos de chegadas, irá perder uma fraca peseta e também a vantagem de oferecer custos relativamente baixos como destino turístico.
Os preços das mercadorias denominadas pelo euro devem gradualmente gravitar para níveis mais altos nos 11 membros da união econômica e monetária européia, fazendo a Espanha parecer uma opção mais cara para se passar as férias. Além disso, a nova moeda deixa a porta aberta para países de fora da União Européia - como a Grécia - agarrar uma margem de competitividade via desvalorização monetária.
‘‘O preço é uma parte muito importante do turismo europeu na Espanha, e nós corremos o risco de que países de fora da UE possam desvalorizar suas moedas defensivamente’’, diz Oscar Ruiz, chefe do setor financeiro do grupo líder de gerenciamento de hotéis na Espanha, o Sol Meliá.
Ruiz acredita que os hotéis pequenos e médios - que correspondem a 96% do setor de turismo da Espanha - é que correm os maiores riscos com a nova moeda.
Do lado governamental, a previsão é mais otimista. Carlos Diaz, diretor geral do turismo na Espanha acredita que o euro trará estabilidade econômica, ultrapassando os perigos potenciais da competição e podendo até aumentar os números no setor de turismo.
Em 1997, mais de 43 milhões de turistas visitaram a Espanha gastando cerca de 3,9 trilhões de pesetas (US$ 25 bilhões). A expectativa do Conselho Oficial de Turismo do país é que neste ano haja um aumento global de 4%.
Os preços no setor turístico espanhol subiram cerca de 10% de janeiro até agora e podem afetar a economia no país, de acordo com o ministro da Economia, Rodrigo Rato.

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