Turismo interno fica abaixo do esperado
Curitiba No primeiro semestre deste ano, a ocupação hoteleira no Brasil ficou 17% abaixo da registrada no mesmo período do ano passado. A retração no fluxo turístico interno contrariou as expectativas do setor. O presidente da Federação Nacional dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares, Norton Luiz Lenhart, diz que depois do atentado de 11 de setembro esperava-se que o fluxo migrasse para o mercado interno, mas isso não aconteceu.
''Houve restrição às viagens aéreas em geral e as expectativas foram todas frustradas'', explica. Segundo ele, houve redução geral nos vôos pelas companhias aéreas, principalmente na Vasp. A Varig e Tam também reduziram e a Transbrasil quebrou.
Outro problema que afetou o turismo interno, segundo Lenhart, foi a epidemia de dengue. A Organização de Saúde noticiou no mundo inteiro e muitos pacotes para o Brasil foram cancelados. Os turistas brasileiros também restringiram suas viagens para alguns estados por causa da doença.
Segundo Lenhart, a crise da Argentina fez com que perdêssemos em torno de 900 mil turistas este ano. Na temporada passada, 1,2 milhão de argentinos estiveram no Brasil e a redução no fluxo foi de cerca de 80%. ''Isso pesa muito, porque os argentinos correspondem ao maior número de turistas estrangeiros que visitam o Brasil'', diz.
Além da crise em si, ele contabiliza o ''efeito Orloff''. Ou seja, todo o contexto econômico e social faz com que as pessoas puxem o freio na hora de programar as férias. ''As pessoas ficam imaginando o que poderia acontecer, depois vieram as eleições, o aumento do dólar e o mercado está na espera'', analisa. Em contrapartida, aumentou o número de novos hotéis e hoje há uma superoferta nos principais destinos do país, sem que houvesse o aumento da demanda esperado.





