O turismo no Brasil vai bem, obrigado. A mudança na política cambial, com a desvalorização do real ocorrida no começo de 1999, continua refletindo no fluxo de visitantes estrangeiros pelo País, mas sobretudo no movimento de turistas nacionais, que já atinge 45 milhões de pessoas. Dados parciais do ano 2000, apurados pelo Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur), indicam que o brasileiro prefere gozar suas férias em território nacional. A venda de pacotes domésticos deve fechar o balanço do ano passado com crescimento de 15%.
Prova disso é que a preferência pelas viagens nacionais já representa 60% do turismo interno, enquanto os roteiros internacionais ficam com a parcela restante. Há apenas dois anos essa proporção era contrária. Além disso, o ano 2000 deverá fechar com 29 milhões de desembarques nacionais domésticos nos aeroportos brasileiros, ante 26 milhões de desembarques em 1999.
Para o presidente da Embratur, Caio Luiz de Carvalho, o bom desempenho também se deve ao profissionalismo do setor e aos investimentos maciços tanto do poder público quanto da iniciativa privada. Cerca de US$ 8 bilhões foram aplicados pela União e governos estaduais nos últimos quatro anos no turismo.
Apenas no Nordeste, foram construídos sete aeroportos, restaurados 22 mil metros quadrados de patrimônio histórico, além da execução de 17 projetos de saneamento básico e da construção de 280 quilômetros de estradas. A partir desses investimentos, mais US$ 6 bilhões serão injetados pela iniciativa privada em novos empreendimentos turísticos até 2002.
‘‘Hoje temos mais de 300 hotéis em construção em todo o País, que vão criar 120 mil empregos diretos e 420 mil indiretos’’, observa Carvalho. Houve, segundo ele, uma conscientização sobre a necessidade de planejar o turismo. ‘‘A infra-estrutura é fundamental nisso porque uma cidade só será boa para o turista se for boa para quem mora nela’’, alinhava.
Para o presidente da Embratur, o ano passado só não foi melhor para o setor porque o País não teve oferta suficiente de serviços. Apesar disso o Brasil foi visitado por 5,2 milhões de estrangeiros dos quais 1,6 milhão de argentinos que juntos trouxeram cerca de US$ 4 bilhões em divisas. Nos últimos três anos, segundo dados da Organização Mundial de Turismo (OMT), o turismo externo cresceu 34% no Brasil. Somado ao desempenho interno, o faturamento global do setor deverá ultrapassar US$ 40 bilhões.
Outro aspecto da notória evolução do turismo brasileiro é que, em apenas três anos, o Brasil subiu de 43º lugar no ranking dos países membros da OMT para a 23ª posição. Diante desse cenário, o turismo pode fechar o ano 2000 com sua melhor participação no PIB nacional, 4%.
Trata-se de um desempenho que também deverá reduzir a diferença entre receita gerada por turistas estrangeiros no Brasil e despesas feitas por brasileiros no exterior, tida como calcanhar-de-aquiles do setor. Entre janeiro e setembro de 1998 o déficit dessa conta era de US$ 3,116 milhões, no mesmo período do ano passado essa diferença deverá cair para US$ 1,02 bilhão.
Para confirmar a vocação turística, o Brasil deverá ter neste ano a continuidade de projetos importantes em diversos Estados. O objetivo é sempre o mesmo: melhorar a infra-estrutura de regiões com potencialidade para o turismo e, consequentemente, a receita gerada neste lugares, com maior fluxo de visitantes.
Caio Carvalho estima que em março próximo, o presidente Fernando Henrique Cardoso deverá anunciar nova série de medidas para incrementar o turismo interno, contemplando a segunda fase do projeto Brasil Empreendedor, pelo qual já foram investidos somente no Nordeste cerca de US$ 670 milhões. A intenção agora é destinar recursos para a Amazônia, o Pantanal e a Região Sul do País.
Independentemente das medidas federais, a Embratur traçou um plano de metas para até 2003, a começar pelo transporte. Como a participação de vôos charters no Brasil ainda é pequena, a entidade pretende implementar, ainda neste ano, uma política de estímulo deste tipo de transporte para democratizar o acesso ao turismo interno. No Brasil, apenas 7% da locomoção de turistas é feita por vôos charters, enquanto que na Europa esse percentual chega a 56%.
Até 2003, a Embratur também planeja ampliar para 6,5 milhões o número de estrangeiros que visitam o Brasil anualmente e, no turismo doméstico, elevar de 45 milhões para 57 milhões de pessoas. Outra meta é aumentar as divisas em aproximadamente US$ 5,5 bilhões, gerando 500 mil novos empregos.

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