Turismo é debatido em Londrina
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domingo, 02 de março de 1997
Jackeline Seglin 
Josoé de CarvalhoRui Martins Lisboa, da Faciap: ecoturismo pode reverter a economiaO 1º Fórum de Turismo do Norte do Paraná, realizado em Londrina nos últimos dias 27 e 28, promete ser o pontapé inicial para que o turismo deslanche como atividade econômica e social na região. Especialistas de vários lugares participaram do evento em palestras que mostraram projetos de desenvolvimento turístico, além de experiências anteriores em outras localidades.
A abertura do primeiro dia de evento foi feita pelo presidente da Paraná Turismo, Wadis Vitório Benvenutti, que mostrou a importância do turismo no contexto mundial e a batalha para que o Brasil e o Paraná, mais especificamente, embarquem nesse avanço. O turismo é uma atividade sustentável, séria. Mesmo assim, o turismo brasileiro ocupa a 46ª colocação no ranking mundial, lamenta.
Benvenutti explicou o esforço necessário para trabalhar o turismo no interior do Brasil, que ainda é pouco explorado em relação às cidades litorâneas, por exemplo, mas salientou que a especialização no turismo está apenas começando. Começamos com as modalidades de turismo rural, de aventura, de eventos....
Segundo o presidente da Paraná Turismo, o mais importante para os municípios interessados em ascender turisticamente é ter infra-estrutura básica para dar suporte à infra-estrutura do turismo. Não adianta ter uma cachoeira bonita, colocá-la num pôster e sair divulgando por aí. É preciso, antes, transformar o atrativo num produto acabado, exemplifica.
Depois de citar os dois pólos turísticos do Paraná - Foz do Iguaçu e Curitiba - e mencionar um terceiro que está se formando - o Canyon Guartelá -, Wadis Benvenutti observou que Londrina tem muito a desenvolver. O turismo rural (aproveitando a estrutura existente, com conforto, mas nada artificial), o turismo cultural (festivais de teatro, música), turismo técnico (nas áreas médica e agrícola, por exemplo) e turismo esportivo (autódromo, kartódromo, estádio de futebol, campeonato de baisebol).
Mário CésarMarília Ansarah, da Unip: comércio ganha com o turismo de eventos
PlanejamentoA partida para isso tudo não pode ser simplesmente a vontade do empresariado e da comunidade. É necessário, antes de tudo, planejamento. Esse foi o assunto da segunda palestra, com a técnica da Paraná Tur, Érica Osterloh, que falou sobre o Programa Nacional de Municipalização do Turismo (PNMT) desenvolvido pelo Governo do Estado. Esse programa visa despertar o interesse do município para o turismo desenvolvendo-o como atividade econômica (ver matéria na página 3).
A terceira discussão do dia foram as linhas de créditos, expostas por representantes do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal (CEF) e Banco Regional de Desenvolvimento Econômico (BRDE). O gerente de atendimentos especiais do Banco do Brasil, Wilson Basdão, e o gerente de mercado da CEF Maurício Guarezemin, demonstraram os programas de financiamento disponíveis ao turismo, as possibilidades de se conseguir um empréstimo e demais condições que devem ser cumpridas ataravés de projetos, além dos valores de financiamento.
Já o diretor vice-presidente e financeiro do BRDE, Fernando Fontana, se ateve em explicar o Programa de Desenvolvimento Turístico (Prodetur), que atenta para a infra-estrutura no setor turístico. O Banco de Desenvolvimento, segundo ele, presta serviço comunitário através de planejamentos.
Ecoturismo O engenheiro e ecologista Rui Martins Lisboa, vice-presidente da Federação das Associações Comerciais, Industriais e Agropecuárias do Paraná (Faciap), apresentou um dos principais temas do 1º Fórum do Norte do Paraná: o ecoturismo. Lisboa salienta que a intenção de seu trabalho é mostrar que com o ecoturismo é possível reverter - para melhor - a economia do Estado do Paraná através dos rios Paranapanema e Paraná. O ecologista desenvolve o programa da Costa Oeste (de Foz do Iguaçu a Guaíra), uma região que abrange 1.200 quilômetros de rio inexplorados e que tem um patrimônio cultural muito rico. Queremos mostrar o potencial turístico, no qual o rio é uma alternativa, diz.
Mas para desenvolver o projeto é necessário buscar investidores. E, para Lisboa, chegou a hora. Fecha-se o ciclo da agropecuária e abre-se o da ecologia, observa. Para ele, o programa possibilita a geração de novos empregos, a preservação da fauna e o desenvolvimento econômico da região. E o paranaense está se voltando para o interior, para descobrir lugares e possibilidades novas. Lisboa cita o exemplo de Caraíma, na costa Oeste do Paraná, um micro-sistema muito parecido com o Pantanal e que não é explorado turisticamente.
A intenção é reverter o quadro do turismo brasileiro, oferecendo novas opções ao turista. O Brasil só recebe 2 milhões de turistas por ano. O dirigente da Faciap adiantou que vai propor um trabalho com a Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel) - promotora do Fórum - para traçar um plano turístico na região, que deve ser feito através de cadastramento. Assim, queremos levar para o Governo do Estado e mostrar que é possível investir e ter grande retorno, finaliza.
EventosOutro tema bastante debatido e que abriu o segundo dia de Fórum foi o Turismo de Eventos, apresentado pela coordenadora do curso de Turismo da Unip (Universidade Paulista), Marília Gomes dos Reis Ansarah, Bacharel e Doutora em Turismo pela USP (Universidade de São Paulo) e coordenadora do curso de pós-graduação em Turismo da Unopar, em Londrina.
A especialista acredita que o Turismo de Eventos e Negócios está despontando no mundo como um setor econômico forte, que faz com que outros segmentos do turismo sejam beneficiados, gerando inclusive mais empregos. Todo o comércio e os demais segmentos ganham com isso. É um fator positivo para o município. E não dá para separar negócios de eventos.
A parte cultural é outro setor importante a ser explorado na cidade de Londrina, segundo Marília. A cidade tem festivais internacionais importantes que abragem várias faixas etárias. O mercado já está sentindo necessidades de abrir mais ofertas para atender a demanda, diz. Londrina pode oferecer, aliado ao turismo de eventos, o ecoturismo e o turismo rural. Basta ter um produto principal. Com o plano de desenvolvimento turístico, esse produto dará suporte a outros segmentos, que irão atingir um potencial satisfatório.
Marília Ansarah acredita que em Londrina está havendo uma conscientização para a especialização de serviços. O Centro de Convenções, por exemplo, leva a um caminho certo para tornar a cidade receptiva a eventos como feiras e congressos.
A experiência do Turismo Regional e do Turismo Rural foi mostrada em Londrina pela Diretora de Turismo de Lajes (SC), Lúcia de Liz Vieira. Ela falou sobre o Projeto Regional de Serviço Turístico Organizado (Presto) desenvolvido em Santa Catarina, com planejamento integrado que visa o desenvolvimento regional (ver matéria na página 3).
A última discussão do Fórum de Turismo foi sobre a criação do Conselho Municipal de Turismo e Fundo de Desenvolvimento para o Turismo, imprescindíveis para que os projetos e planos sejam viabilizados. O evento terminou com um city-tour até a Pousada das Alamandas, em Rolândia.
PromoçãoO 1º Fórum de Turismo do Norte do Paraná foi uma promoção da Codel. Mais de duzentas pessoas de várias cidades do Paraná e São Paulo participaram das discussões. O presidente da Codel e vice-prefeito de Londrina, Alex Canziani, participou do evento e espera a participação da iniciativa privada e das prefeituras da região nos projetos. É bom lembrar que os órgãos públicos têm um papel fundamental na busca de parcerias para os investimentos.


