Turismo de negócios sustenta empreendimentos
Sem conseguir se ambientar na capital federal e tendo em mãos um convite para voltar a Curitiba, o executivo João Francisco Rodrigues não pensou duas vezes: rescindiu o contrato com o Naoun Plaza de Brasília e assumiu o posto de gerente-geral do Bourbon Curitiba Hotel & Tower. A troca de emprego é recente ocorreu em janeiro , mas como Rodrigues já tinha trabalhado no Bourbon, foi um reencontro depois de quatro anos de ausência. E uma surpresa com a mudança ocorrida no setor:
O mercado está muito diferente, mais difícil. Na época em que deixei Curitiba a capacidade instalada era em torno de 6 mil apartamentos. Hoje encontro 8 mil apartamentos, com perspectivas de crescimento. É complicado. Encontro um mercado em Curitiba em que a oferta de leitos e apartamentos cresce assustadoramente. Só no ano passado abriram uns quatro hotéis, tem vários para abrir durante o ano. Se considerarmos o segmento em que o Bourbon atua, a oferta duplicou, porque os 5 mil a 6 mil apartamentos que tínhamos quatro anos atrás eram uma gama de hotéis de cinco a duas estrelas. Agora dos 2,3 mil apartamentos que aumentaram, grande parte são de hotéis quatro e cinco estrelas.
Esse quadro de expansão da concorrência é incômodo para os empresários mas favorável aos usuários, que têm um leque de opções onde se hospedar. Rodrigues observa que forçosamente haverá realinhamento de preços, da mesma forma que o realinhamento de custos. Então cada produto terá que ter sua cara para captar o cliente, argumenta. Um ponto a favor à sua empresa é que no mercado curitibano o Bourbon não sofreu desgates. Podem vir o Sheraton, Posadas, Caesar Park e outros mais, pois não vão chegar ao status e posicionamento do Bourbon. Além de ser uma empresa tipicamente brasileira, é paranaense e preza por seu produto.
O foco do Bourbon Curitiba Hotel & Tower são os altos executivos, considerando-se que a capital tem peso preponderante nos negócios e não propriamente no lazer. João Francisco Rodrigues concorda: Eu diria que hoje a sustentação de todos esses empreendimentos é o turismo de negócios. Jardim Botânico, Ópera de Arame, os vistosos parques que colaboram para o status da cidade não são motivos tão atraentes para quem busca unicamente o lazer.
A procura é tímida, em comparação ao turismo de negócios, corporativo, que engloba eventos. Mesmo assim os pacotes oferecidos pelo hotel para quem vem unicamente a passeio, incluem além dos atrativos locais, viagens a cidades próximas como Morretes, Antonina, Paranaguá. Creio que Curitiba ainda trabalha muito com turismo rodoviário, que não é nosso segmento. Se a pessoa não tem condições de custear passagem aérea, seu poder aquisitivo fica um pouco além da nossa oferta, do nosso padrão de serviço, esclarece Rodrigues.





