Turismo de luxo pelos rios da Amazônia
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 20 de setembro de 2005
Fábio Vendrame<br> Agência Estado 
Manaus - A vida na selva é o grande atrativo de uma viagem para a Amazônia. E a melhor maneira de conhecê-la é de navio. Lá, os rios são as estradas e as embarcações, o principal meio de transporte. Até bem pouco tempo atrás, era impensável realizar esse sonho a bordo de um cinco-estrelas flutuante.
Desde maio, no entanto, isso é possível no Grand Amazon, da empresa espanhola Iberostar, o primeiro cruzeiro de luxo da Bacia Amazônica. Ficou muito mais prazeroso desfrutar do que a maior floresta tropical do mundo tem a oferecer num roteiro de mordomias e conforto de primeira classe.
O Grand Amazon é um peso pesado flutuante. E é, talvez, a nau mais cara que já circulou na região. ''Trata-se de um produto inovador, que oferece instalações adequadas, gastronomia de primeira e conforto em meio à natureza em seu estado mais puro'', destaca o gerente-geral da embarcação, o espanhol Javier Estelrich. ''Não vendemos aventura, até porque o foco é mostrar que a Amazônia é rica em flora e paisagens exuberantes, mas não exatamente em fauna'', diz.
Por onde passa, o navio chama a atenção. A população ribeirinha se aproxima das lanchas. As crianças sorriem e acenam. Mas o contato com caboclos, índios ou ribeirinhos ainda não está permitido para os turistas do cruzeiro. Está em fase de análise, segundo Estelrich. ''Nem nativos nem turistas estão preparados para o contato'', afirma.
Alheios à realidade local, os passageiros do Grand Amazon vão descobrindo a cada dia um pouco mais sobre aquela exuberância amazônica a que o espanhol se referia. A beleza local salta aos olhos na medida em que o cruzeiro avança no Rio Negro. Aguardado por todos, o primeiro contato com a selva, em terra, é precedido por uma palestra na qual os instrutores destacam a grandeza da região.
Aos poucos, os turistas tomam consciência de que a Bacia Amazônica ocupa área superior a 6 milhões de quilômetros quadrados e abrange seis países Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela. E se impressionam ao saber que 3 mil espécies de peixes frequentam suas águas. Do lado de fora, é, de fato, muito difícil avistar animais. Mas o show está garantido tanto ao amanhecer quanto ao entardecer com a revoada de alguns bandos das mais de 700 espécies de aves que sobrevoam diariamente a selva.
Como tem de ser, as excursões ditam o ritmo do cruzeiro. Elas se dividem em caminhadas na floresta e passeios em lancha. Na primeira, os turistas entram em contato com as particularidades da Amazônia e têm a oportunidade de sentir na pele a vida selvagem. Não deixe de levar um repelente!
Na segunda, os visitantes embarcam em lanchas de alta velocidade para percorrer igarapés (canais estreitos formados ao longo do curso principal do rio) e igapós (trechos de floresta inundada) para observar fauna e flora. ''A Amazônia não é a Disneylândia: não dá para saber o que se vai encontrar'', dizem os guias.
Sempre com acompanhamento de um biólogo, os passeios servem também para desmitificar algumas idéias sobre a floresta. ''É um mito a idéia de que a Amazônia seja o pulmão do mundo'', afirma a bióloga Melissa Rosas, natural do Amazonas. ''Em relação ao planeta, o papel mais importante da Amazônia é ajudar na manutenção do clima global'', explica. ''Todos os grandes biomas, incluindo os desertos, têm essa função.''
Depois dessas atividades, os turistas escolhem entre relaxar na piscina ou beliscar um docinho ou um salgado no convés superior. Quem quiser pode mandar uma carta ou, mais prático, um cartão-postal para a família e/ou alguém especial. Há um serviço de correio a bordo. É todo um charme.
Um espetáculo natural encerra o roteiro: o encontro das águas dos rios Negro e Solimões indica que a aventura amazônica chegou ao fim. Manaus já está logo ali.
Viagem feita a convite da Iberostar Grand Amazon e da CVC.


