São Paulo - Navegar em um iate só com seus convidados, ter um mordomo à disposição ou conhecer a coleção particular de um apaixonado por arte. Experiências exclusivas, únicas, e possíveis apenas para um grupo restrito, que faz crescer um mercado bastante específico: o do turismo de luxo. Estima-se que o segmento movimente cerca de US$ 400 bilhões ao ano - 25% desse montante é destinado a gastos com serviços e produtos turísticos.
No Brasil, a Virtuoso, rede mundial de agências de viagem especializada no segmento, vem registrando um aumento médio de 20% desde 2005. Segundo Ângela Belluco, gerente de Serviços e Vendas da empresa no País, foram US$ 6 milhões em vendas em 2005 - a expectativa é que, em 2008, esse número chegue a US$ 8 milhões.
A razão para o rápido crescimento está na estabilidade da economia brasileira, segundo Ismael Rocha, coordenador do curso de Marketing para Produtos e Serviços de Luxo da ESPM. Neste ano, uma pesquisa do Boston Consulting Group revelou que o Brasil tem 250 mil milionários - pessoas, segundo a empresa, com patrimônio superior a US$ 1 milhão aplicado no mercado financeiro. ''Se diminuirmos esse montante para US$ 500 mil e imaginarmos esses milionários em uma família tradicional, de quatro pessoas, podemos fazer uma estimativa de cerca de 2,5 milhões de brasileiros com potencial de consumo de luxo'', diz o professor.
Muitos deles acabam viajando para um destino cheio de charme: a França. De acordo com Alain Rousseau, diretor-adjunto da Maison de La France (órgão responsável pela promoção do turismo francês), 20% dos 400 mil brasileiros que foram ao país em 2007 se enquadram na categoria ''turistas de luxo''. Traduzindo: gastaram mais de 550 euros em hospedagem por dia e pelo menos 110 euros em restaurantes.
Não é à toa que a França está entre os destinos favoritos dos endinheirados. O país conta com nada menos que 26 restaurantes três-estrelas no Guia Michelin. Isso sem falar nos 28 hotéis integrantes da The Leading Hotels of the World, a principal organização de estabelecimentos de alta classe. ''A França representa 30% do mercado do turismo de luxo no mundo'', explica Rousseau.
Engana-se quem pensa que luxo é sinônimo de ostentação. Para Lígia Danesi, diretora da HIP - empresa que reúne hotéis de alta classe -, esse público busca exclusividade. ''O rico de hoje não quer ostentar. Ele quer conforto e refeições estreladas, sem se importar com valores. São pessoas sofisticadas'', diz.
Ângela Belluco, da Virtuoso, tem a mesma opinião. ''O conceito de luxo mudou muito. Antes, se pensava em algo muito caro. Hoje, esse turista procura algo que combine com o estilo de vida dele. Não é ficar em um hotel cinco-estrelas com torneiras banhadas a ouro, mas ter um serviço personalizado.''
Desafio
Agradar a um público tão exigente não é fácil. Para Silvio Passarelli, diretor do MBA em Gestão de Luxo da Faap, quem trabalha com esse mercado precisa entender a maneira como esse turista vive, e reproduzi-la. ''Ele quer manter os padrões de seu dia-a-dia no hotel em que se hospeda, no avião, no carro que vai levá-lo para os passeios'', afirma.
O desafio, segundo o professor, é que essas pessoas já fizeram dezenas de viagens. ''É preciso apresentar roteiros criativos, que não sejam consumidos por turistas tradicionais. Nesse segmento, o importante é oferecer experiências marcantes. O luxo está nos detalhes.''

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