São Paulo - Os anos voam, não tem jeito. A turma que já viveu mais de meio século admite que o vigor da juventude ficou para trás. Mas, para alguns, isso não significa ficar vendo a vida seguir. Seja como hobby ou diversão, eles buscam desafios para fugir da rotina. E são o exemplo de que não há limite de idade para curtir uma boa aventura.
  Há 30 anos escalando montanhas pelo mundo, o casal Paulo e Helena Coelho, de 54 e 53 anos, respectivamente, apaixonaram-se pelo esporte na faculdade. Desde então, alcançaram os mais altos cumes do mundo, como o do Aconcágua (6.962 metros), na Argentina, do Ojos del Salado (6.895 metros), no Chile, e do Huascarán (6.767 metros), no Peru. ‘‘Na descida já pensamos no próximo desafio’’, diz Helena.
  O marceneiro Fernando Mendes é outro apaixonado por aventura. Viaja pelo mundo desde os 20 anos. Já passou por Bolívia, Peru, Chile, Argentina, Bélgica, Austrália, Índia e Nepal, além da Chapada dos Veadeiros, em Goiás. Com 51 anos recém-completados, não cogita diminuir o ritmo e planeja ir para a Amazônia no fim do ano. ‘‘Estou pronto para os próximos 50 anos’’, diz. Para conhecer mais o País, Mendes deve comprar um jipe que dê conta das estradas de terra Brasil afora.
  Antenada à tendência, a operadora Venturas & Aventuras, de São Paulo, organiza, desde 2001, três grupos por ano para a terceira idade com o programa ‘‘Velhinho É a Mãe’’. Entre os destinos, Lençóis Maranhenses, Jericoacoara, Pantanal, Bonito, Chapada dos Veadeiros e Patagônia. ‘‘Queremos propor desafios e dar os meios para vencê-los’’, diz o diretor da empresa, João Ricardo Marincek.
  As viagens contam com uma logística especial, que acaba acarretando um custo entre 10% a 15% acima do normal. Isso, no entanto, não foi impedimento para a aposentada Elza Yuri Yassuda, de 69 anos. Na Chapada dos Veadeiros, ela caminhou até 14 quilômetros em um dia. ‘‘Envelhecer não quer dizer que perdemos o interesse por coisas novas’’, diz. Animada com as primeiras aventuras, foi com a família para o Cânion Guartelá, em janeiro deste ano, e fez sua estréia no rafting e no rappel. ‘‘Senti medo, mas foi delicioso’’,
afirma.
  Com mais de 30 anos de experiência em esportes radicais, a produtora e apresentadora da ‘‘ESPN Brasil’’ Renata Falzoni, de 52 anos, alerta para não extrapolar os limites do corpo. ‘‘Se estiver receoso, não é vergonha amarelar’’, diz ela, que já recusou muitas aventuras, mas pretende aceitar outras tantas, sem prazo para parar.

mockup