A desvalorização do real em 1999 continua rendendo bônus para o turismo até hoje, de acordo com o Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur). Com o dólar mais caro e o aumento de oferta de roteiros internos, cresce o número de brasileiros que marcam suas férias para destinos nacionais. Para esta alta estação (que vai de dezembro a fevereiro), o setor espera um total de 14 milhões de viagens domésticas, 15% a mais do que no mesmo período do ano passado. ‘‘É um crescimento substancioso se considerarmos que de 1998 para 1999 registramos um aumento de 27% nas viagens locais’’, diz o presidente da Embratur, Caio Luiz de Carvalho.
Há dois anos, as viagens dos brasileiros eram divididas em 60% internacionais e 40% nacionais. Hoje essa proporção se inverteu: 60% das vendas de pacotes são feitas para o turismo interno e 40% para o exterior. A queda do número de saídas foi sentida de imediato em 1999 quando o valor do real praticamente caiu pela metade. Em 1998, 4,5 milhões de passageiros viajaram para fora do País, número que em 1999 foi de 2,7 millhões.
Este ano, pelo menos, houve uma recuperação, com 3,5 milhões de bilhetes comprados para terras estrangeiras. Essa recuperação, aliás, estaria relacionada a um fator macroeconômico. Mesmo com moeda cara, houve uma melhoria de renda da classe média com o crescimento da economia, o que deu confiança para investidas mais ousadas. Aliás, é o mesmo motivo que estimulou o crescimento das viagens internas.
De acordo com analistas econômicos, houve uma modificação estrutural no mercado. Além da desvalorização do real e do crescimento econômico, a indústria brasileira de turismo está ficando mais competitiva com o aumento de oferta de roteiros desde que o real trouxe estabilidade para o País.
Um indicador relevante é o número de hotéis em construção. De acordo com o presidente da BSH Consultoria Hoteleira, José Ernesto Marino Neto, há cerca de 330 hotéis em construção no Brasil, número nunca antes alcançado. Isso significa algo em torno de R$ 4 bilhões de investimentos para o setor.
Segundo Marino Neto, obras como a do Costa do Sauípe, complexo cinco estrelas que inclui cinco hotéis, na Bahia, acaba por atrair turistas locais endinheirados que antes viajariam para fora.
Ao mesmo tempo, o Brasil vem incrementando o número de roteiros. De acordo com a Embratur, nos últimos quatro anos cerca de 4 mil fazendas foram cadastradas pela entidade para receber visitantes em busca de turismo rural. Muitas delas viviam de atividade de gado de corte e leite. Mas o turismo mostrou-se mais atraente. Uma das cidades que aprendeu a explorar esse filão foi o município de Brotas, no interior paulista. O turismo ocupa 15% da população local, representa 30% do faturamento do comércio e recebe 100 mil pessoas por ano.

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