Turismo corporativo inicia recuperação
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quarta-feira, 11 de setembro de 2002
Da Redação 
O turismo corporativo no país voltou a crescer no segundo trimestre de 2002, após um período de queda acentuada nos negócios causados a partir dos atentados de 11 de setembro. O volume de investimentos das empresas com as viagens dos seus executivos já alcança índices próximos a 90% do total praticado até agosto de 2001.
A crise originada no setor, a começar pelas companhias aéreas, jogou para baixo as tarifas e, consequentemente, as margens das empresas que nele atuam. A Carlson Wagonlit Travel maior agência de viagens corporativas da América Latina, pertencente ao Grupo Accor e à Carlson Companies chegou a agosto de 2002 com um número de passageiros, para todos os lugares do mundo, muito próximo ao registrado antes dos atentados. Mas, por causa das tarifas mais baixas, o volume de vendas continua menor do que os alcançados antes do 11 de setembro. ''Nos primeiros meses após os ataques nosso movimento caiu cerca de 15%, mas aos poucos estamos nos recuperando'', diz Bernardo Feldberg, diretor-executivo geral da CWT.
Segundo o executivo, cerca de 20% dos clientes da CWT no Brasil tem operações nos EUA. ''Nos primeiros sete meses de 2001, antes dos ataques, as vendas de viagens para os Estados Unidos representavam 25% do nosso movimento. De janeiro a agosto de 2002, porém, essa participação caiu para 15%'', afirma Feldberg.
Atendendo cerca de 2.200 clientes, a Carlson Wagonlit Travel emite, por dia, em média, 5 mil passagens aéreas, 1,5 mil vouchers de hotel, 500 passagens rodoviárias, 100 locações de carro e 75 bilhetes e passes ferroviários.
De acordo com Luiz Carlos Rodrigues, diretor da Expansão Turismo, uma das maiores empresas brasileiras do setor, a retomada do crescimento se deve às soluções tecnológicas encontradas para garantir maior conforto e melhor preço a quem viaja.
Nas grandes empresas, as viagens corporativas equivalem em média a 7% do total dos custos operacionais. A despesa, em alguns casos, é a terceira na lista dos gastos que podem ser controlados, atrás apenas de salários e processamento de dados e à frente de publicidade. O gasto anual com viagens de negócios em uma grande corporação pode ultrapassar R$ 20 milhões por ano.
No ano passado, a maior empresa promotora de feiras da América Latina realizou apenas em São Paulo mais de 30 eventos, que geraram uma média de 500 mil empregos diretos e indiretos. No Rio de Janeiro, a Associação Brasileira da Indústria Hoteleira (ABIH) contabiliza que o motivo da viagem de 61% dos hóspedes recebidos em 2001 estava relacionado a negócios, trabalho, feiras, convenções ou congressos.
O quadro revela também um aumento no nível de exigência dos viajantes frequentes. Segundo Luiz Carlos Rodrigues, a redução no tempo de espera do embarque e melhores preços estão entre os pedidos mais comuns das empresas. De acordo com Rodrigues, a implantação dos tickets eletrônicos e dos sistemas de reservas on line são duas soluções que têm obtido respostas satisfatórias no mercado brasileiro. ''Os tickets eletrônicos eliminam o papel da passagem e agilizam os processos de embarques, enquanto os sistemas de reservas robóticos garantem os melhores preços'', explica. Para ele, investir em eficiência e tecnologia é o grande alicerce para esta nova fase do turismo corporativo.
A Expansão Turismo foi fundada em 1957 e hoje tem faturamento anual de US$ 85 milhões. O foco da empresa está voltado para o viajante de negócios. A Expansão é associada a GlobalStar, uma das maiores organizações de administração de viagens do mundo.


