Turismo com sotaque europeu
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terça-feira, 09 de agosto de 2005
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Viajar a Santa Catarina sempre foi sinônimo de belas praias de águas verdes, festas do chopp, arquitetura alemã, cidades floridas e muita comida típica, como einsbein e marreco recheado. No coração do Estado, no chamado Médio Vale do Itajaí, existe uma ''outra'' Santa Catarina. Ali, a natureza é o grande atrativo. O cenário composto de vales, casas típicas e pinheiros, sempre ao longo do Rio Benedito, afluente do Rio Itajaí-Açú, predomina e não raro lembra paisagens suíças. A população de alemães e italianos reforça ainda mais essa impressão, seja por sua arquitetura típica européia, que impera na região, ou pelo sotaque que mesmo entre os mais jovens ainda denuncia suas origens.
Dentro dessa paisagem rural, corredeiras e cachoeiras de vários tamanhos são outro atrativo da região, principalmente para quem gosta de esportes mais radicais, como o rapel, canoagem ou rafting. Toda essa beleza integra o Vale das Águas, região que envolve nove pequenas cidades: Timbó, Pomerode, Benedito Novo, Doutor Pedrinho, Rodeio, Rio dos Cedros, Apiuna, Ibirama e Ascurra.
No centro do cenário está a pequena cidade de Timbó, localizada a 30 quilômetros de Blumenau e 250 km de Curitiba. Pouco conhecida dos turistas, a cidade destaca-se pela qualidade de vida de seus 32 mil habitantes. Timbó é a décima cidade brasileira em Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), índice estabelecido conforme os indicadores de educação, longevidade e renda da população. Na outra ponta está a turística Pomerode, a 33 quilômetros de Blumenau. Com 22 mil habitantes, é considerada a cidade mais alemã do País.
Conhecer todas as atrações exige tempo. Apesar das pequenas distâncias, muitos passeios são feitos em caminhadas, descidas e subidas entre pedras para chegar às cachoeiras. Tudo deve ser planejado sem pressa. Só assim o turista poderá curtir momentos únicos, como subir o Morro Azul, em Timbó. Com sorte e tempo limpo, dos seus 758 metros de altitude observa-se uma sequência da geografia catarinense, a começar pelo vale de Pomerode, tendo em seguida o vale de Itajaí e, no fundo, de um lado a cidade de Blumenau e de outro a praia de Piçarras. Imagem para se guardar o resto da vida.
''Quando chego de Curitiba, estou meio estressada ou precisando espairar, venho aqui. Fico olhando essa paisagem e tudo melhora'', conta Tatiana Honczaryk, sócia-proprietária do Hotel Timbó Park. O morro, cujo nome verdadeiro é Parque Ecológico Freymund Germer, e é protegido por lei municipal, tem acesso rodoviário. O local serve também como ponto de salto para quem gosta de vôo livre, já que possui uma das melhores rampas de salto do sul do País. A seis quilômetros do centro, o morro Arapongas tem outra rampa para a prática de parapente e asa delta.
Andar de bicicleta é, talvez, a melhor forma de conhecer a região. Entre os habitantes, a prática é comum. No final da tarde, as ruas ficam lotadas de bicicletas, guiadas por trabalhadoers ou estudantes a caminho de casa.
A presença de imigrantes italianos e alemães pode ser constatada em cada detalhe. Eles capricham nos jardins de suas casas, sempre cheias de flores e canteiros bem delineados. Essa mesma preocupação se estende para as ruas, sempre limpas e cuidadas pelos próprios moradores. ''Aqui as pessoas andam quilômetros com um papel na mão, mas não jogam no chão'', orgulha-se Elisabeth Germer, moradora de Timbó, integrante de várias associações e conhecedora de todas as histórias da cidade.


